Guerras

sexta-feira, 11 de abril de 2014

República Velha (Primeira República), Principais Movimentos Revoltosos

Tema 1: Guerra de Canudos
1. Entre 1896 e 1897.
2. Arraial de Canudos, no sertão da Bahia.
3. Camponeses miseráveis, seguidores de um líder messiânico, que propunha um estilo de vida comunitário no Arraial de Canudos, que chegou a reunir 25 mil pessoas. Isso provocou a ira de fazendeiros e autoridades locais que decidiram destruir o Arraial, acusando-o de ser uma ameaça à República.
4. Antônio Conselheiro.
5. Tropas do governo da Bahia e tropas federais atacaram o Arraial, que resistiu bravamente, adotando uma guerra de guerrilhas.
6. Apenas na quarta expedição do Exército brasileiro contra Canudos, o Arraial foi inteiramente destruído e sua população exterminada. ( ou prisioneira)

• Tema 2: Guerra do Contestado
1. Entre 1912 e 1916.
2. No limite entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, contestado por ambos.
3. Sertanejos expulsos de suas terras pelo governo, por companhias estrangeiras e pela oligarquia local, reuniram-se em torno de um líder messiânico e fundaram uma comunidade coletivista, com cerca de 20 mil pessoas, o que despertou a preocupação das autoridades locais.
4. “Monge” José Maria.
5. Ocorreram violentas batalhas entre os sertanejos e os governos estaduais do Paraná e Santa Catarina e tropas do governo federal. Foi utilizada artilharia pesada contra os sertanejos.
6. Os sertanejos foram massacrados.
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• Tema 3: Revolta da Chibata
1. Entre novembro e dezembro de 1910.
2. Rio de Janeiro.
3. Os marinheiros rebelaram-se exigindo o fim dos castigos corporais disciplinares, então permitidos na Marinha brasileira, melhorias na alimentação, aumento dos soldos e anistia para os rebeldes.
4. João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”.
5. Os marinheiros apoderaram-se de importantes navios da Marinha e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro. O governo cedeu à pressão dos rebeldes, desde que se encerrasse a rebelião.
6. Apesar do acordo, o governo não cumpriu o que prometeu; os participantes foram punidos, alguns fuzilados e outros enviados ao Acre, onde a maioria morreu na prisão.

• Tema 4: Revolta da Vacina
1. Entre 10 e 15 de novembro de 1904.
2. Rio de Janeiro.
3. A população do Rio estava descontente com o projeto de urbanização de Rodrigues Alves, implementada pelo prefeito Pereira Passos, que destruiu os cortiços do centro da cidade e deixou a população com problemas de moradia; além disso, a reforma sanitária, que previa a vacinação obrigatória, exaltou os ânimos da população, que reagiu ao autoritarismo do governo.
4. Não há.
5. A população saiu às ruas, ergueu barricadas, saqueou e apedrejou estabelecimentos comerciais, espancou policiais, incendiou prédios públicos e bondes.
6. O governo decretou estado de sítio e reprimiu o movimento rebelde.

• Tema 5: Cangaço
1. Do final do século XIX até a década de 1930.
2. Região do sertão nordestino.
3. Bandos de sertanejos que reagiam às péssimas condições de vida no sertão nordestino, tornando-se bandidos.
4. O líder do principal bando de cangaceiros foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Seu bando atuou entre 1920 e 1938.
5. Os bandos possuíam cerca de dez homens, mas o bando de Lampião chegou a ter 100. Eles saqueavam fazendas e vilas, cometiam assassinatos e eram perseguidos pela polícia. Às vezes, recebiam a proteção de alguns fazendeiros, em troca de favores, atuando como "jagunços" de aluguel.
6. Na década de 1930, uma associação entre várias polícias estaduais do Nordeste conseguiu desmembrar os principais bandos.

• Tema 6: Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
1. 5 de julho de 1922.
2. Rio de Janeiro.
3. Jovens tenentes que lutavam contra a posse do presidente eleito, Artur Bernardes, pois consideravam sua vitória fruto de fraude eleitoral e o acusavam de ter escrito cartas publicadas no jornal O Correio da Manhã, ofendendo importantes militares; além disso, a prisão do Marechal Hermes da Fonseca e o fechamento do Clube Militar acirraram os ânimos.
4. Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes da Fonseca, tenente Siqueira Campos e tenente Eduardo Gomes.
5. Os rebeldes tomaram o Forte de Copacabana, que foi bombardeado por dois encouraçados e cercado por quatro mil soldados leais ao governo. Muitos homens desistiram da rebelião, mas alguns decidiram continuar; uniu-se a eles um engenheiro gaúcho.
6. Quando os 18 homens, na Avenida Atlântica, marchavam em direção ao Palácio do Catete, foram cercados por soldados que dispararam; houve apenas dois sobreviventes.

• Tema 7: Revolução Paulista de 1924
1. Julho de 1924.
2. São Paulo.
3. No segundo aniversário da Revolta dos 18 do Forte, tenentes paulistas queriam depor o presidente Artur Bernardes, pois ainda havia o desejo de moralizar o processo eleitoral brasileiro.
4. O general gaúcho Isidoro Dias Lopes, o major Miguel Costa e os tenentes Joaquim Távora, Juarez Távora e Eduardo Gomes.
5. Os rebeldes tomaram pontos estratégicos da cidade e atacaram o palácio dos Campos Elíseos; o governo federal enviou 18 mil soldados e iniciou pesado bombardeio aéreo, sobretudo sobre o Brás, Mooca e Belenzinho. Foram contabilizados mais de 500 mortos e quase cinco mil feridos.
6. Os rebeldes conseguiram fugir de São Paulo de trem.

• Tema 8: Coluna Prestes
1. Entre 1925 e 1927.
2. A Coluna deslocou-se por 25 mil quilômetros no território brasileiro.
3. Militares gaúchos decidiram unir-se aos paulistas rebeldes, que haviam fugido da Revolução Paulista e estavam em Foz do Iguaçu, para percorrer o interior do Brasil e propagar seus ideais.
4. O major Miguel Costa e o tenente Luis Carlos Prestes.
5. A Coluna realizou o que se chamou de “guerra de movimento”, na qual os rebeldes
não ficavam mais de 48 horas em lugar algum, para evitar confrontos com as forças governamentais; apesar disso travaram 53 combates. A Coluna chegou a contar com 1500 rebeldes.
6. Perseguidos, os homens liderados por Prestes conseguiram refúgio na Bolívia e, outro grupo, liderado por Siqueira Campos, dirigiu-se ao Paraguai.

Tema 9: Greve Geral de 1917
1. Julho de 1917.
2. São Paulo.
3. Os grevistas exigiam, principalmente, a proibição do trabalho para menores de 14 anos, a abolição do trabalho noturno para mulheres e menores de 18 anos, a jornada de trabalho de oito horas.
4. O movimento grevista de 1917 resultou da ação das organizações operárias anarquistas que atuavam no Brasil, com o apoio da imprensa de mesma vertente ideológica.
5. 70 mil operários, de setores industriais diversos, aderiram à greve e, apesar da repressão policial, ergueram barricadas e tiroteios alastraram-se por toda a cidade.
6. O governo e os industriais concordaram em conceder 20% de aumento salarial aos grevistas e prometeu atender, posteriormente, às demais reivindicações; terminado o movimento, as principais lideranças fora perseguidas.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Alguns principais envolvidos no processo da Revolução Russa


• Czar Nicolau II, da Rússia
1. Nome completo: Nicolai Aleksandrovitch Romanov.

2. Data e local de nascimento: 18 de maio de 1868, no Palácio de Catarina, a 25 quilômetros de São Petersburgo.

3. História familiar: filho do imperador Alexandre III, que governou o Império Russo entre 1881 e 1894, e da imperatriz Maria, dinamarquesa.

4. Trajetória de vida: Nicolau II recebeu uma esmerada educação, compatível com sua posição de príncipe-herdeiro do trono russo; comunicava-se muito bem em inglês e também em francês e alemão. Era bom atirador e cavaleiro. Não demonstrava muita inclinação à vida política, mas dizia apreciar a vida militar; ostentava o título de coronel. Casou-se com Alexandra de Hesse, com a qual teve cinco filhos, quatro meninas e um menino. Assumiu o trono russo, depois da morte de seu pai, em 1894, e foi o último czar, reinando até 1917.

5. Participação na Revolução Russa: Nicolau II chefiou um regime autocrático e após a derrota na Guerra Russa-Japonesa, em 1905, teve que enfrentar a Revolução de 1905, depois da qual foi convocado um Parlamento (Duma) para redigir uma Constituição que limitaria os poderes do czarismo; a Duma foi dissolvida em 1907 e restaurado o regime autoritário. Na Primeira Guerra Mundial, pensando em anexar territórios na península balcânica e assim atingir o Mar Mediterrâneo, lutou pessoalmente contra o Exército alemão; os russos sofreram humilhantes derrotas; isso agravou ainda mais a insatisfação do povo em relação ao regime czarista, já fortemente abalado por grave crise econômica. Em 15 de março de 1917, diante do movimento revolucionário vitorioso, abdicou o trono russo. Nicolau II e sua família foram presos e enviados à Sibéria e depois para Ekaterimburgo, na região dos Montes Urais.

6. Data, local e causa da morte: Nicolau II e sua família foram executados, em 17 de julho de 1918, em Ekaterimburgo, sob ordens do governo revolucionário.

Vladimir Ilitch Ulianov Lênin
1. Nome completo: Vladimir Ilitch Ulianov.

2. Data e local de nascimento: 22 de abril de 1870, em Simbirski, atual Ulianovsk, na Rússia.

3. História familiar: de família abastada, seu pai foi um alto funcionário público liberal, mas seu irmão mais velho foi assassinado depois de participar de um atentado terrorista contra o czar Alexandre III, quando Lênin tinha 17 anos.

4. Trajetória de vida: Lênin foi um estudante considerado muito competente, estudou Direito na Universidade de Kazan e, menos de um ano depois da morte do irmão, ingressou em um grupo marxista. Em 1893, conheceu, em Moscou, diversos grupos de intelectuais com os quais discutia ideias revolucionárias; por isso, foi preso em 1895, condenado e deportado para a Sibéria, em 1897, onde permaneceu por três anos. Lá conheceu Nádia Krupskaia, sua esposa. Depois de cumprida a pena, exilou- -se na Suíça, onde passou a editar um jornal de tendência marxista, Iskra (Centelha); mais tarde, em Paris, também editaria o jornal Pravda (Verdade). Lênin escreveu diversos livros nos quais defendeu as ideias revolucionárias do marxismo e se tornou um importante líder político. Em 1903, no segundo congresso do Partido Operário Socialdemocrata Russo, defendeu a constituição de um partido centralizado e dirigido por intelectuais com formação teórica marxista, que conduzissem os trabalhadores na luta revolucionária; ocorreu, então, a divisão do Partido em dois grupos, os bolcheviques, liderados por Lênin, e os mencheviques.

5. Participação na Revolução Russa: quando eclodiu a Revolução de março de 1917, Lênin estava na Suíça; ele retornou no mês seguinte e passou a fazer oposição ao recém-instaurado governo menchevique. Em novembro, liderou os bolcheviques, que derrubaram o governo e instituíram um novo governo, o Conselho de Comissários do Povo, presidido por ele. Essa revolução assumiu um caráter socialista, com o decreto de uma reforma agrária, nacionalização dos bancos, entrega do controle das fábricas aos operários e retirada da Rússia da Grande Guerra. Com o fim da guerra civil, que se seguiu à Revolução, em 1921, Lênin  a NEP (Nova Política Econômica), que restabelecia parcialmente o capitalismo, para tentar reconstruir o país. No final de 1922, Lênin proclamou a URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas).

6. Data, local e causa da morte: Lênin morreu em 21 de janeiro de 1924, em Gorki, perto de Moscou, acometido por hemiplegia, uma paralisação parcial do corpo, provocada por uma doença cerebral.

• Leon Trotsky
1. Nome completo: Lev Davidovitch Bronstein.

2. Data e local de nascimento: 7 de novembro de 1879, em Ianovka, na Ucrânia.

3. História familiar: seus pais eram fazendeiros; sua família era de origem judaica, mas não religiosos.

4. Trajetória de vida: aos 9 anos, Trotski foi estudar em Odessa. Aos 17 anos, teve seus primeiros contatos com as ideias do marxismo, começando a participar de movimentos contra o regime czarista. Perseguido, em 1898, foi preso e deportado para a Sibéria. Casou-se com Alexandra Sokolovskaia, com quem teve duas filhas.
Conseguiu fugir da Sibéria e foi para Londres, onde conheceu Lênin, com o qual rompeu em 1903, por não concordar com suas diretrizes no segundo congresso do Partido Operário Socialdemocrata Russo. Trotski participou da Revolução de 1905 e, devido à derrota, exilou-se novamente. Separou-se da primeira esposa e casou-se com Natália Sedova, com quem teve dois filhos.

5. Participação na Revolução Russa: em 1917, Trotski filiou-se aos bolcheviques e, em novembro, liderou a tomada do Palácio do Governo, em Petrogrado. Foi o criador do Exército Vermelho, que venceu a guerra civil em 1921, garantindo a sobrevivência da Revolução. Com a morte de Lênin, disputou o poder com Stalin e foi derrotado; perseguido, foi expulso do partido comunista e exilou-se em vários países; nesse período escreveu diversos livros, divulgando suas ideias, entre elas, a teoria que defendia que a revolução socialista deveria ser estendida a outros países, para garantir sua sobrevivência na URSS.

6. Data, local e causa da morte: Trotski foi assassinado em 20 de agosto de 1940, na Cidade do México, provavelmente a mando dos serviços secretos soviéticos.

• Josef Stalin
1. Nome completo: Josef Vissarionovich Djugashvili.

2. Data e local de nascimento: 18 de dezembro de 1878, em Gori, na Geórgia.

3. História familiar: seu pai era um sapateiro e sua mãe lavadeira.

4. Trajetória de vida: Stalin teve uma infância pobre e difícil, tendo o rosto marcado pela varíola; chegou a estudar em um seminário, pois sua mãe gostaria que ele tivesse se tornado padre, mas em 1899 ingressou no partido socialdemocrata e entre 1905 e 1917 foi membro do partido bolchevique. Foi preso algumas vezes nesse período pela polícia do czar. Em 1904 casou-se com Ekaterina Svanidze, com a qual teve um filho; ela morreu de tifo, em 1907. Em 1919, casou-se com Nadia Alliluyeva, que se suicidou em 1932; com a segunda esposa, teve uma filha e um filho. Sua terceira esposa foi Rosa Kaganovich; eles se casaram em 1934 e se divorciaram em 1938.

5. Participação na Revolução Russa: em 1917, Stalin era um dos editores do jornal Pravda (Verdade), e aliou-se a Lênin na luta revolucionária; foi nomeado Comissário das Nacionalidades e, em 1922, Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista. Com a doença e morte de Lênin, tornou-se a principal figura política soviética e governou a URSS até 1953, quando morreu. Stalin tornou-se um ditador e eliminou seus opositores, condenando-os aos campos de trabalho forçado ou à morte; promoveu o crescimento econômico da URSS, por meio dos Planos Quinquenais, que privilegiavam as indústrias de base e a coletivização da agricultura. Seu principal objetivo era consolidar o regime internamente, portanto não se preocupou em estender a revolução socialista a outros países.
6. Data, local e causa da morte: Stalin morreu dia 5 de março de 1953, em Moscou, vítima de um derrame cerebral.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Pré-História

1º Ano do EM 1º Bim.
PALEOLÍTICO, MESOLÍTICO, NEOLÍTICO, Idade dos Metais

Primeiro período da história universal. Começa com o surgimento dos primeiros hominídeos, antepassados do homem moderno, há cerca de 3,5 milhões de anos, e termina com o aparecimento da escrita, por volta de 4.000 a.C. Divide-se em três fases: Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.
            PALEOLÍTICO – Conhecida como Idade da Pedra Lascada, vai de 3,5 milhões de anos a 10.000 a.C. Os hominídeos começam a desenvolver a linguagem oral, vivem em pequenos grupos nômades e utilizam técnicas rudimentares para conseguir alimento: coleta de frutos e raízes, caça e pesca. Com o auxílio de pedras, fabricam instrumentos como machados, facas, pontas de flecha e com eles moldam objetos de madeira e osso. Também iniciam o uso do fogo. Inventam a agulha, o anzol, o arpão, o lança-dardo ou propulsor, o arco e flecha e as lanças. Vivem em grupo, dividem o trabalho de acordo com o sexo e a idade dos indivíduos e habitam copas de árvores, saliências rochosas, tendas de madeira ou pele e cavernas. Criam a arte, pintando animais nas paredes de cavernas, e realizam ritos mágicos para favorecer a caça.
            MESOLÍTICO – Período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, estende-se de 10.000 a.C. a 8.000 a.C. Os humanos aprendem a produzir o fogo. Começam a domesticar animais e a cultivar algumas espécies de plantas, o que dá início à sedentarização do homem. Fabricam instrumentos mais bem elaborados e utensílios de cerâmica. Fazem desenhos estilizados e introduzem a figura humana nas pinturas.
            NEOLÍTICO – Chamada de Idade da Pedra Polida, de 8.000 a.C. a 4.000 a.C. Os grupos humanos melhoram a agricultura e a criação de animais, constituindo uma economia de produção (o que se considera a revolução neolítica). Fixam-se definitivamente na terra e se estabelecem em povoados agrícolas, formando os primeiros núcleos urbanos. Surge a noção de propriedade, e a organização familiar cede lugar a comunidades tribais, com eleição de chefes para liderá-las. A busca por áreas férteis provoca guerras com outras tribos, reforçando a importância da comunidade para a sobrevivência de todos. Os homens neolíticos organizam melhor a divisão do trabalho, o que permite a produção de excedentes e o intercâmbio com outras comunidades. Aprendem a polir pedras, inventam a roda e   confeccionam tecidos. Surgem aldeias, com casas de pedra ou madeira. Desenvolvem os meios de transporte, com barcas de pele de animais e carros puxados por força animal. A arte torna-se mais complexa: fazem pinturas figurativas e geométricas em cerâmica, esculpem baixos-relevos e estátuas. Adoram as forças da natureza e cultuam os antepassados e a fertilidade.
            Idade dos Metais – Corresponde ao período final do Neolítico, por volta de 4.000 a.C., quando se desenvolve o uso dos metais: o cobre, o estanho, a prata e o ouro. Com a técnica da fundição de bronze (mistura de cobre e estanho) é possível substituir a pedra na confecção de armas e utensílios mais resistentes. O domínio da metalurgia do ferro confere superioridade militar e favorece os povos mais adiantados na conquista de melhores terras. A aquisição das técnicas de metalurgia ocorre simultaneamente ao surgimento das primeiras civilizações.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Alguns aparatos bélicos utilizados durante a Primeira Guerra Mundial (Desenvolvimento Bélico durante a I Guerra)

 

• Tema 1: Canhão de longo alcance
O canhão existe desde o século XIII, mas adquiriu, na Primeira Guerra, mais longo alcance e precisão; causou mais mortes do que qualquer outro armamento. Destacou-se o alemão “Grande Bertha”, capaz de bombardear o alvo a 120 quilômetros de distância; com ele, os alemães bombardearam Paris.

• Tema 2: Morteiro
O morteiro era uma espécie de canhão de curto alcance, que lançava projéteis com grandes ângulos de elevação. Foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial, especialmente para serem usados nas trincheiras.

• Tema 3: Fuzil
O fuzil é uma arma de fogo portátil, de cano longo, que dispara projéteis giratórios. Foi a arma de fogo padrão do Exército norte-americano na Primeira Guerra Mundial, pois disparava com maior alcance e precisão.

• Tema 4: Metralhadora
Criada em 1890, nos Estados Unidos, é uma arma de fogo automática que em pouco tempo dispara numerosos projéteis; era colocada nos aviões, nos tanques de guerra e camuflada nas trincheiras.

• Tema 5: Tanque de guerra
Com projeto inglês, é considerado um dos fatores decisivos para a vitória da Entente na Primeira Guerra; é um veículo de combate blindado, dotado de armamentos, que desequilibrou a guerra de trincheiras.

• Tema 6: Submarino
No século XVIII, na guerra de independência dos Estados Unidos, foi construído o primeiro submarino com objetivos militares. Porém, no início do século XX, os alemães os tornaram muito mais eficientes: movidos a óleo diesel e com periscópios muito precisos. Na Primeira Guerra, eram utilizados para afundar os navios da Entente, que desenvolveu sonares para detectá-los e projéteis para serem lançados para atingi-los no fundo do mar.

• Tema 7: Encouraçado ou couraçado
Projeto inglês de 1906, o encouraçado era um navio de guerra de grande tonelagem, blindado e armado com artilharia pesada, principalmente canhões de longo alcance.

• Tema 8: Avião
A invenção de Santos-Dumont foi utilizada no início da guerra, para orientar os tiros da artilharia, em missões de reconhecimento, tomada de fotografias e identificação de alvos. Depois, surgiram os aviões de perseguição, chamados aviões de caça, dotados de metralhadoras no “nariz”, cujas cabines eram abertas.

• Tema 9: Balão dirigível
Balão gigantesco, de até 150 metros de comprimento, foi usado principalmente pelos alemães e produzido pelo Conde Ferdinand von Zeppelin. Efetuou os primeiros ataques de bombardeios sobre Londres, entre 1915 e 1917. A altitude em que voavam não permitia que aviões aliados pudessem atingi-los. Porém, o desenvolvimento de projéteis de metralhadora revestidos de fósforo incendiário inviabilizou os zeppelins, que continham gás hidrogênio, altamente inflamável.

• Tema 10: Gases tóxicos
Os alemães inauguraram, em 1915, o uso de gases tóxicos, lançando sobre Ypres, na Bélgica, o gás cloro, asfixiante; depois também foi utilizado o gás mostarda, que ataca as vias respiratórias e provoca bolhas e queimaduras na pele, além de cegueira temporária; se aspirado em grande quantidade, também provoca asfixia. Até o fim da guerra, os dois lados usaram gases tóxicos e foram desenvolvidas máscaras contra gases.

• Tema 11: Granada de mão
A granada de mão é um artefato com câmara interna que leva uma carga explosiva. Um pino de segurança é retirado da granada antes que ela seja lançada, acionando o dispositivo que dispara a espoleta. Foi uma das armas mais revolucionárias da Primeira
Guerra Mundial, dando aos soldados a possibilidade de atingir um inimigo abrigado em trincheiras. A granada Mills foi introduzida em 1915 e 68 milhões de unidades foram produzidas na Primeira Guerra.

• Tema 12: Lança-chamas
É um aparelho projetado para lançar uma chama longa e controlável; foi utilizado primeiramente pelos alemães. O fogo é causado por uma reação química entre duas ou mais substâncias, normalmente o oxigênio do ar e algum tipo de combustível, como gasolina.

8ª série 9ºano

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Feudalismo


Sociedade, Economia, Influência da Igreja

 

Sistema de organização econômica, política e social da Europa Ocidental durante a Idade Média. Com as invasões bárbaras e a desagregação do Império Romano a partir do século V, a Europa inicia profunda reestruturação, marcada por descentralização do poder, ruralização e emprego de mão-de-obra servil. Com começo e fim graduais, o sistema feudal tem sua origem mais bem situada na França setentrional dos séculos IX e X e seu desaparecimento no século XVI.

            Apesar de constituir um sistema fechado, que chega ao fim com a revisão de quase todos os seus valores pelo Renascimento, o feudalismo é um dos alicerces do Estado ocidental moderno. Os grandes conselhos de reis e de seus feudatários são os ancestrais diretos dos modernos parlamentos.

            Sociedade – A estrutura social é estabelecida com base nas relações de dependência pessoal, ou vassalagem, que abrangem desde o rei até o camponês livre. Há uma relação direta entre autoridade e posse da terra. O vassalo, ou subordinado, oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho em troca de proteção e de um lugar no sistema de produção.

Os camponeses, que trabalham nas terras dos senhores feudais, são os responsáveis por toda a atividade produtiva do feudo. Além de produzir para seu sustento, devem obrigações a seu senhor, como a corvéia, que consiste no trabalho gratuito e obrigatório durante três dias da semana. Devem também impostos, que são pagos em produtos ou dinheiro. Os senhores feudais formam a nobreza rural e têm poder para fazer os servos e os camponeses livres cumprirem as normas vigentes. Vivem em castelos fortificados, a melhor representação de seu poder civil e militar. Os cavaleiros armados garantem o domínio do senhorio sobre a terra.

            Economia – O feudo constitui a unidade territorial da economia feudal. Caracteriza-se pela auto-suficiência econômica e pela ausência quase total do comércio e de intercâmbios monetários. A produção é predominantemente agropastoril, voltada para a subsistência, e as trocas são feitas com produtos, não com dinheiro. As cidades deixam de ser centros econômicos, os ofícios e o artesanato passam a se realizar nos próprios castelos.

            Influência da Igreja – A Igreja Católica integra-se ao sistema feudal por meio dos mosteiros, que reproduzem a estrutura dos feudos. Transforma-se também em grande proprietária feudal, detém poder político e econômico e exerce forte controle sobre a produção científica e cultural da época.

 

Neocolonialismo



Processo de exploração econômica e dominação política dos continentes africano e asiático pelas potências capitalistas emergentes no decorrer do século XIX e começo do XX. A disputa por novos mercados leva à partilha da África e da Ásia. Reino Unido, França e Bélgica, as primeiras potências industrializadas, iniciam o processo. São seguidos por Alemanha e EUA – que alcançam o apogeu industrial e econômico a partir de 1870 – e, posteriormente, por Itália, Rússia e Japão.

            Nessa época, os países industrializados procuram encontrar territórios ricos em matérias-primas para abastecer sua economia e novas regiões para investir o capital excedente. As colônias devem atender também aos problemas de crescimento populacional da metrópole e de fornecimento de mão-de-obra numerosa e barata. As inovações tecnológicas decorrentes da segunda Revolução Industrial e a exploração de novas fontes de energia aumentam a capacidade de produção das indústrias, o que força ainda mais a busca de novos mercados. A França instala-se sobretudo no noroeste da África, na Indonésia e na Indochina. O Reino Unido domina a Índia, ocupa o Egito, a China e estabelece colônias na África. A Rússia avança na Sibéria, no Cáucaso e na China. A Bélgica ocupa a República Democrática do Congo; a Alemanha, grande parcela da África negra. O Japão instala-se na Coréia, em parte da China e na Indochina. Os EUA dominam Cuba, Porto Rico, Filipinas, Samoa Americana, Guam e Havaí.

            As metrópoles fundam companhias privadas nas colônias para explorar o território e desenvolvem um sistema administrativo fortemente centralizado nas mãos de colonos. Os conflitos gerados pelos interesses colonialistas levam à I Guerra Mundial. A partir da II Guerra têm início a descolonização da África e da Ásia.

Imperialismo



Política de expansão de poder ou dominação de um Estado ou sistema político sobre outros. Realiza-se pela conquista ou anexação de territórios, pelo estabelecimento de protetorados e pelo controle de mercados ou monopólios. Envolve sempre o uso da força e tem como conseqüência a exploração econômica, em prejuízo dos Estados ou povos subjugados. Apesar de haver características imperialistas nas civilizações orientais antigas, na Grécia antiga, no Império Romano e na expansão marítima dos séculos XV e XVI, o termo imperialismo surge para designar a expansão das potências industriais européias a partir de 1870, especialmente depois de concluídas a unificação da Alemanha e a da Itália.

Mais tarde, em 1898, tem início a política imperialista norte-americana em direção ao Pacífico e à América Latina. Essa fase termina com o começo da I Guerra Mundial e a repartição, ocupação ou subordinação política e econômica da África e de grande parte da Ásia por alguns países europeus, pelo Japão e, em menor medida, pelos Estados Unidos.

Entre 1914 e 1945, o imperialismo se caracteriza pela rápida expansão dos Estados totalitários, como a Alemanha nazista, a Itália fascista, o Japão e a União Soviética, que tentam estender suas hegemonias à Europa, à Ásia e à África. Após a II Guerra Mundial e o fim dos processos de descolonização da África e da Ásia, o imperialismo assume a forma de hegemonia política e econômica das duas superpotências, URSS e EUA, durante a Guerra Fria.
Veja o vídeo do professor Chico, com a música sobre o tema:
 https://www.youtube.com/watch?v=8klVIxVEcVA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Origem do PCC


Como nasceram as facções

A história e as técnicas de guerrilha adotadas pelo PCC, maior organização criminosa brasileira, para dominar o País

Por Alan Rodrigues

No final da década de 70 era freqüente nos presídios brasileiros presos políticos e bandidos comuns dividirem o mesmo espaço. A convivência forçada ensinou toda a população carcerária que só de maneira organizada poderiam fazer valer bandeiras como o fim da tortura, por exemplo. É nesse contexto que surge no Rio de Janeiro a Falange Vermelha, organização criminosa hierarquizada que conseguia denunciar os maus-tratos a que seus membros eram submetidos. Mais tarde surge, também no Rio, o Comando Vermelho, oriundo da Falange, e ainda mais sofisticado. A organização impunha sua força para fora dos presídios, fazendo com que os produtos de ações criminosas pudessem em parte reverter para um caixa único, a fim de garantir o sustento das famílias daqueles que estavam detidos. Em São Paulo, as organizações de presos começaram a surgir no início da década de 80, com as Serpentes Negras, grupo que exigia a implantação de uma política de direitos humanos no sistema penitenciário. O PCC se organiza a partir de 1993, depois do massacre que resultou na morte de 111 presos no extinto Carandiru, reivindicando os mesmos direitos das organizações do passado.

No início de 2000, após rebeliões simultâneas em presídios, alguns líderes do PCC, entre eles Marco Camacho, o Marcola, foram transferidos para o Rio de Janeiro. “Esse foi o nosso maior erro”, lamenta o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Departamento de Investigações Criminais de São Paulo (Deic), especializado no combate ao crime organizado. No Rio, Marcola, que até então era um simples “batedor de carteiras”, manteve contatos e construiu relações com o Comando Vermelho, aprimorando a organização do PCC. De presos organizados passaram para o crime organizado, liderando ações como tráfico de drogas e de armas, contrabando, roubo a bancos e seqüestros de dentro dos presídios. Criaram uma estrutura financeira capaz de arrecadar mensalmente cerca de R$ 1 milhão, dinheiro usado para bancar outros crimes, corromper agentes penitenciários, manter as famílias dos presos e até custear a formação de advogados de confiança. O mais recente investimento se dá na qualificação de sua mão-de-obra. O PCC coloca alguns de seus membros em cursos promovidos por empresas de segurança privada para que aprendam a manusear armas mais modernas e até a fazer direção defensiva.

Em 2005, Marcola conversou seguidamente com o chileno Maurício Norambuena, experiente militante da Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) e um dos responsáveis pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto. Ambos estavam presos em Presidente Bernardes. Após essas conversas, o PCC parte para uma nova estratégia: a ordem é atacar, desgastar e desmoralizar a estrutura de segurança do Estado. Comandante Ramiro, nome de guerra de Norambuena, ensinou para Marcola como uma facção do porte do PCC poderia se transformar numa organização de dominação política para afrontar o Estado.

Para consolidar sua liderança sob os 100 mil comandados no sistema penitenciário e dez mil “soldados” que agem fora das muralhas, Marcola usa o tacão do terror. Os números do governo são alarmantes. São quase 500 mortos por ano nos presídios paulistas. Só em 2004 cresceu em 200% o número de suicídios dentro dos presídios. “Muitos dos presos que têm dívidas com a facção ou não querem mais cumprir as ordens são ‘obrigados’ a se suicidar”, diz o padre Valdir José Silveira, coordenador estadual da Pastoral Carcerária, entidade não governamental que trabalha em defesa dos presidiários.

Após eliminar líderes rivais (alguns decapitados), Marcola adotou posturas que aumentaram sua popularidade dentro dos presídios. Aboliu o uso do crack nas prisões, droga que segundo ele mesmo afirma acaba matando seu exército. Também decretou o fim dos estupros que vitimavam os presos mais fracos, e assim ganhou respeito. Leitor voraz, Marcola, que estudou até a oitava série, tem ambição. Além de usar as práticas da guerrilha urbana para colocar em xeque o próprio Estado e aterrorizar a população, o líder joga em outra ponta. O PCC vai financiar dois candidatos a deputado, um federal e outro estadual. Quer, a médio prazo, formar uma bancada para oficialmente “lutar pelos direitos do preso”.

Acesso em 12/01/2013


Revista Isto é, N° Edição: 1909 | 24.Mai.06 - 10:00 | Atualizado em 11.Jan.13 - 08:32

Guerra: Polícia x PCC


Guerra anunciada

2006: “Ao fim e ao cabo da semana fatÍdica, registravam-se 293 atentados, 161 mortes e 80 rebeliões. São Paulo vivia dias de Bagdá”.

Em 2006, os ataques do PCC (primeiro Comando da Capital), foram uma demonstração de força e organização, chegando a paralisar a maior cidade do país e até mesmo o Estado, agora essa onda de ataques esta sendo diferente, se comparada com a de 2006 os fatos estão ocorrendo em “doses” menores.

Naquela ocasião foi feito, segundo o especialista em segurança pública, Guaracy Mingardi, um acordo implícito entre o crime e o governo para cessar a violência. Esse acordo, que Mingardi classifica como um erro, teria sido quebrado de alguma forma este ano, aumentando a violência, tanto do crime, como da polícia. A guerra declarada entre polícia e crime organizado teve início no primeiro semestre de 2012, quando seis criminosos foram mortos durante uma ação de policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), no dia 28 de maio. Segundo as primeiras informações daquela ocorrência, seis viaturas se deslocaram ao local após uma denúncia anônima de que o bando, ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC), estava reunido no local para traçar um plano de resgate de um preso que seria transferido do Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste, para a Penitenciária II de Presidente Vescenslau, no interior do Estado.

Após uma denúncia de truculência policial e investigação da Polícia Civil, pelo menos nove policiais da Rota foram presos pela execução dos criminosos. Uma testemunha contou que três PMs - um sargento e dois soldados - chutavam o suspeito levado pela viatura até o local. Um deles chegou a atirar a queima roupa no homem. A mulher ligou para a polícia e contou em tempo real o que, segundo ela, estava acontecendo.

Dois dias depois, o bairro de Cidade Tiradentes vivia o seu primeiro toque de recolher. Moradores foram avisados de que os criminosos atacariam batalhões em represália às mortes no bairro da Penha. Em junho, o bar que funciona no local onde os criminosos foram executados pegou fogo. Segundo os proprietários, o incêndio não teve ligação com o PCC.

Os ataques.

No mês de junho, São Paulo começou a viver a primeira grande onda de ataques a policiais e bases da PM. Os primeiros ataques foram registrados isoladamente, mas com o passar dos dias, ficou evidente de que se tratava de uma ação coordenada. O dia 20 de junho, em especial, chamou a atenção da Secretaria de Segurança Pública, pela sequência de crimes.

Na região da Vila Formosa, na zona leste, um policial militar foi morto por criminosos dentro de uma academia. Duas horas mais tarde, a cerca de 2 km de onde o PM foi morto, uma base móvel da Polícia Militar foi atacada em São Mateus. Quatro homens em um carro e um outro em uma moto pararam próximo à base e fizeram pelo menos oito disparos. No mesmo dia, outro policial morreu em troca de tiros com um criminoso em Pirituba.

A partir dessa série de eventos, a Polícia Militar começou a registrar casos sequenciais de mortes e ataques. No dia seguinte, um policial militar foi morto em um supermercado no Capão Redondo. No dia 22 de junho, um PM foi morto a tiros na região do Grajaú, quando estava indo para o trabalho. Na mesma madrugada, uma base foi atacada em Itaquera, mas nenhum policial ficou ferido. No dia 24 de junho, um policial militar foi assassinado a tiros em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A partir de então, outros casos começaram a ser registrados em diversas cidades da Grande São Paulo, interior e Baixada Santista.

Por que incendiar ônibus?

Além de causar grande transtorno no trânsito, que já é sobrecarregado nos grandes centros, incendiar ônibus é uma maneira de fortalecer o caixa do crime organizado, visto que as organizações criminosas possuem participação direta nos lucros de muitas cooperativas de transporte (na grande maioria clandestinas). Quando um ônibus é queimado, várias peruas e vans são colocadas nas ruas para realizar o transporte dos usuários.

A partir do dia 24 de junho, a PM começou a registrar ataques a ônibus na Grande São Paulo. Na noite seguinte, um ônibus foi pego em uma emboscada na zona leste de São Paulo. Após receber sinal de um jovem em um ponto, o motorista foi surpreso por outros três que surgiram atrás de um muro. O veículo estava vazio e o motorista saiu correndo ao perceber a ação dos criminosos. No dia 26 de junho, veio o primeiro grande ataque e três ônibus foram queimados na região do Tremembé, na zona norte da capital.

Apesar da crescente onda de violência, a Secretaria de Segurança Pública continuava tratando os casos como ações isoladas, descartando o envolvimento do Primeiro Comando da Capital. Negar o envolvimento do crime organizado seria uma estratégia para não alarmar a população, para não mostrar a força e organização dos criminosos ou o despreparo de nossos políticos em lidar com tal situação?

Chacinas são usadas para espalhar o terror entre a população e até mesmo para desacreditar a polícia.

Após o início dos ataques contra policiais e a ônibus, a PM começou a registrar um aumento em crimes com características de execução e as primeiras chacinas começaram a aparecer. No dia 25 de junho, um grupo de quatro jovens foi encontrado baleado na em Poá, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, por volta das 21h30, homens passaram atirando. As vítimas foram socorridas ao Pronto-Socorro Municipal, mas não resistiram aos ferimentos.


Na madrugada do dia 12 de julho, oito pessoas foram mortas após uma sequência de ataques na cidade de Osasco, logo após a final da Copa do Brasil de futebol, vencida pelo Palmeiras. Segundo a polícia, os atiradores aproveitaram a queima de fogos para efetuar os disparos. Em outubro e novembro, o número de execuções de civis aumentou consideravelmente e, segundo último balanço divulgado pela PM (não englobando o mês de novembro), outubro foi o mês mais violento do ano, com 176 homicídios apenas na capital.
Alguns moradores das comunidades afirmam ser ações de policiais essas chacinas, poderia ser uma forma de desqualificar a polícia e colocar o PCC como o salvador da pátria, o mocinho dessa crise.


Motivações.


A prisão de Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, em 26 de agosto, líder da facção (PCC) em Paraisópolis, já havia revelado informação parecida aos homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que o prenderam. “Vão morrer até os mamões (policiais da reserva)”, ameaçou o criminoso ao ser detido, acrescentando que ainda morreriam “dois botas (PMs)” para cada “irmão”.

Como o “salve geral” confirmou, os ataques a PMs haviam sido ordenados pelas lideranças do PCC depois que mudanças na política de segurança pública, feitas pelo atual secretário Antonio Ferreira Pinto, aumentaram a atuação dos militares no combate à facção. Principalmente depois que os homens da Rota passaram a ser mais atuantes.

Ferreira Pinto assumiu a pasta da Segurança em 2009, em meio a uma crise de credibilidade dos policiais civis. Escândalos impensáveis tinham sido revelados, como o envolvimento de investigadores de Suzano com o sequestro do enteado de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. O caso aconteceu em 2005. Policiais civis pediram R$ 300 mil para soltar o jovem. Marcola pagou, mas avisou que “não ia ficar barato”. O achaque foi considerado um dos motivos para os ataques da facção no ano seguinte.

Quando passou a comandar a segurança, Ferreira Pinto optou por usar a Polícia Militar, corporação da qual havia sido oficial e em que mais confiava, para lidar com as informações vindas dos grampos e do serviço de inteligência do Ministério Público e da Secretaria de Administração Penitenciária. Os policiais civis seriam postos de lado (um perigo, visto que essa atitude poderia aumentar a rivalidade entre as policias).
A inteligência na investigação dos presídios tornou-se afiada e até interceptações telefônicas de crimes em andamento começaram a cair no grampo. Essas informações eram repassadas diretamente aos policiais militares, resultando em uma série de conflitos e de vítimas nas ocorrências, principalmente em supostas trocas de tiros com policiais da Rota.
Policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), enfrentaram uma quadrilha no dia 11 de setembro. No total, oito acusados de compor um "tribunal" do crime organizado que julgava um homem acusado de estupro, foram mortos na operação. O homem que era julgado pelos bandidos também foi alvejado e não sobreviveu. Outros oito suspeitos foram presos pelos policiais. Na ocasião, o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga Dantas, disse que a ouvidoria investigaria a ação, além de acompanhar as investigações no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O Ministério Público também acompanha o inquérito policial sobre a ação da Rota.

Em novembro, a PM determinou a prisão de cinco policiais suspeitos de matar um servente na periferia da zona sul da capital. Um vídeo feito por um vizinho mostra o servente Paulo Batista do Nascimento, 25 anos, sendo cercado por policiais em uma rua do bairro do Campo Limpo. As imagens confirmam que ele foi agredido. No vídeo, é possível ver o servente levando um tapa e um chute dos policiais antes de ser levado para o carro da polícia.

Em seguida, um policial aparece com os braços erguidos em posição de tiro. Não é visto nenhum disparo, mas depois de um barulho parecido com um tiro, as imagens mostram a movimentação de alguns agentes. No boletim de ocorrência, os PMs relataram que o corpo foi encontrado em uma viela pelos policiais.

Resposta do governo

Em outubro, a Polícia Militar deu início à Operação Saturação para combater o crime organizado em várias regiões da capital, em Guarulhos e na cidade de Ribeirão Preto. Em novembro, o ministro José Eduardo Cardozo e o governador Geraldo Alckmin anunciaram que as esferas estadual e federal teriam uma agência integrada de combate ao crime organizado. A reunião definiu ações de "asfixiamento financeiro" das organizações criminosas responsáveis pelos ataques e também a futura transferência das lideranças envolvidas em mortes de policiais para presídios federais.

Dias depois, o governador de São Paulo reconheceu pela primeira vez dificuldades na segurança pública por conta da onda de homicídios vivida em São Paulo nos últimos meses. No dia 21 de novembro, o então o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pediu exoneração do cargo. Em seu lugar, assumiu o ex-procurador geral de Justiça do Estado de São Paulo, Fernando Grella.

Cinco dias depois, foram divulgados os nomes dos novos comandantes das polícias Civil e Militar de São Paulo. O Comando Geral da Polícia Militar foi assumido pelo coronel Benedito Roberto Meira, atual chefe da Casa Militar do Governo do Estado. Já a Polícia Civil passou a ser comandada pelo delegado classe especial Luiz Maurício Souza Blazeck.


Para o especialista em segurança pública e pesquisador da Fundação Getulio Vargas Guaracy Mingardi, o aumento das mortes está ligado a um ciclo de vinganças entre o crime organizado e os policiais. Na opinião de Mingardi, que foi subsecretário nacional de Segurança Pública, faltou uma ação adequada para dar resposta aos primeiros casos de execução de policiais, o que está levando aos confrontos.


Uma carta escrita com bela caligrafia e repleta de erros de português era uma das peças que faltavam para ajudar a compreender as causas da atual tensão vivida em São Paulo e o crescimento dos assassinatos neste semestre. Apreendido em Paraisópolis, na zona sul, o “salve geral” do Primeiro Comando da Capital (PCC) dava a “todos os irmãos da rua” as ordens que deveriam seguir a partir de 8 de agosto.

O recado era claro. Dois PMs deveriam ser executados para cada integrante do PCC morto. A ação seria uma resposta “às execuções covardes feitas pela Polícia Militar”. Segundo o “salve”, caberia ao “sintonia geral da quebrada” cobrar a “morte do irmão” com a execução dos PMs “da mesma corporação” que cometesse “a covardia”.

"Se você não resolver (os casos de mortes de policiais), não prender ninguém, a polícia fica inquieta e começa a matar mais. A polícia mata mais, os criminosos matam mais e as coisas vão indo assim: represália para lá, represália para cá", disse. "Isso é uma quebra do regime democrático, de direito, que você não pode deixar acontecer", completou.


O valor da vida


Policiais paulistas estão sendo assassinados por quantias ínfimas. Meros R$ 600 ou R$ 850, devidos por alguma quadrilha ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminal dos presídios brasileiros. Isso não é teoria, mas realidade, comprovada em investigações.

A possibilidade de que dívidas na compra de drogas ou armas sejam anistiadas pela facção, mediante o assassinato de policiais, foi flagrada por promotores de Justiça do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Em telefonemas desde uma penitenciária do oeste do Estado, grampeado pelo Ministério Público, bandidos lembram a quadrilheiros a necessidade de pagar a mensalidade do Partido do Crime (como é chamado o PCC). Uma das formas, para os que estão na rua, é matar policiais.

É por isso que drogados em dívida podem estar por trás da onda de assassinatos que já ceifou a vida de mais de 100 PMs, agentes penitenciários e policiais civis este ano. Grande parte das mortes é encomenda do PCC, apontam investigações.

Um dos que ordenaram a morte de seis policiais militares é Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, que passou a outros presidiários bilhetes encomendando o assassinato de integrantes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM paulista.

Tiriça, que está trancafiado em cela isolada em Presidente Bernardes, em presídio a mais de 600 quilômetros da capital paulista, quer vingança por duas matanças cometidas por policiais da Rota este ano. A primeira, em agosto, quando seis assaltantes foram metralhados ao tentarem explodir caixas-eletrônicos em um supermercado. A outra, em setembro, quando a tropa de elite matou nove criminosos que se preparavam para "julgar" um suspeito de estupro, em Várzea Paulista (Grande São Paulo).


Prova Material

A grande prova material contra os atentados praticados pelo PCC veio em 30 de outubro, quando a PM localizou o que chamou de "central de espionagem" do Partido do Crime em Paraisópolis, uma das maiores favelas paulistanas. Foi localizada uma mala com anotações feitas pelo bando de Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, um dos líderes do PCC. Ela estava recheada com cadernos nos quais havia nomes, endereços e hábitos de policiais civis e militares.

Ficou comprovado, pelos manuscritos, que os policiais eram seguidos por criminosos, que sabiam o percurso dos agentes e até seus hábitos, como jogo de futebol e sinuca. A motivação para os assassinatos é diversificada. Alguns policiais seriam eliminados por atrapalhar, no serviço, ações do PCC. Outros, por estarem envolvidos na morte de integrantes da facção. E, conforme investigações, alguns por cobrarem suborno em área controlada pelo Partido do Crime. Um quarto grupo é composto de policiais de rua, que seriam eliminados por serem alvos fáceis e como retaliação, aleatória, contra outros agentes que prejudicaram o PCC.

A apreensão da lista só aconteceu porque a comunidade foi tomada pelos policiais militares, num cerco denominado Operação Saturação. Ela ocorre em quatro regiões da periferia da Capital e Grande São Paulo.

Numa tentativa de neutralizar as ameaças, o governo estadual e o governo federal combinaram o isolamento de Piauí. Ele foi transferido de Avaré (SP) para a Penitenciária Federal de Porto Velho (Rondônia).

Segundo uma gravação feita pelo Gaeco, os bandidos afirmam que a mensalidade do PCC subiu de R$ 600 para R$ 850. Caso o criminoso não tenha como arcar com a despesa, ele é coagido a matar um policial militar. Caso não realize o serviço, será exterminado pela facção. A morte de policiais militares também serve como vingança pela morte de “irmãos” do PCC. Para cada aliado da facção morto, dois policiais são executados.
 
Uma estratégia do crime organizado é a de atacar policiais fora do horário de trabalho, assim pairam duvidas a respeito das motivações dessa morte, e evita parecer que a afronta foi uma atitude direta contra o Estado.

Acesso: 02/01/2013



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"CICLO" DO CAFÉ NO BRASIL



7ª série – 8º ano – 4º Bimestre

 
CAFÉ - ORIGENS


Originário da Etiópia, onde já era utilizado em tempos remotos, o café atravessou o Mediterrâneo e chegou à Europa durante a segunda metade do século 17. Era a época do Barroco e das monarquias absolutas, e a expansão do comércio internacional enriquecia a burguesia. Já no início do século 18, os Cafés tornaram-se centros de encontro e reunião elegante de aristocratas, burgueses e intelectuais.

Precedido pela fama de "provocar idéias", o café conquistou, desde logo, o gosto de escritores, artistas e pensadores. Lord Bacon atribuía-lhe a capacidade de "dar espírito ao que não o tem". Os enciclopedistas eram adeptos fervorosos do café e dos Cafés, que Eça de Queiroz chegou a afirmar, muito depois, que foi do fundo das negras taças "que brotou o raio luminoso de 89", referindo-se às discussões entre iluministas que precederam a Revolução Francesa.

 

O PAÍS DO CAFÉ

 
As primeiras mudas da rubiácea chegam ao Brasil, contrabandeadas da Guiana Francesa por Francisco de Melo Palheta em 1727. Recebera-as de presente das mãos de Madame d'Orvilliers, esposa do governador de Caiena. Ora, como a saída de sementes e mudas de café estava proibida na Guiana Francesa, é licito pensar que o aventureiro português recebeu de Madame não só os frutos, mas outros favores talvez mais doces. As mudas foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade. Mas não seria no ambiente amazônico que a nova planta iria tornar-se a principal do país, um século e meio mais tarde. Com o aumento do consumo, exigindo assim, o constante aumento da produção, o café saltou para o Rio de Janeiro, onde começou a ser plantado em 1781 por João Alberto de Castello Branco. Tinha início, assim, um novo ciclo econômico na história do país. Esgotado o ciclo da mineração do ouro em Minas Gerais, outra riqueza surgia, provocando a emergência de uma aristocracia e promovendo o progresso do Império e da Primeira República.

Mas é só a partir do começo do século XIX que a cafeicultura ganha o interesse dos grandes proprietários. Torna-se rapidamente a principal atividade agrícola do país, responsável por mais da metade da renda obtida com exportação As plantações multiplicam-se e, em meados do século XIX, o produto ocupa parte das terras de antigas lavouras de cana-de-açúcar e de algodão e grande porção do chamado Oeste Paulista. Essa vigorosa expansão da cafeicultura é resultado do crescimento do consumo nos Estados Unidos e na Europa e da crise que atinge importantes regiões produtoras, como Haiti, Ceilão (atual Sri Lanka) e Java, na Indonésia. Com o preço em alta nos mercados consumidores, o produto torna-se muito atraente e há, no Brasil, terras e escravos subutilizados em outras lavouras tradicionais de açúcar e algodão, além de solos novos e férteis, como a terra roxa do interior paulista. A crescente importância econômica faz dos produtores de café de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais o centro da elite dirigente do Império e da República, até quase meados do século XX.

Com a interrupção definitiva do tráfico de escravos africanos, em 1850, surge o primeiro grande problema: escassez de mão-de-obra. A solução encontrada é promover a vinda de imigrantes estrangeiros.

Expansão cafeeira – Das pequenas plantações nas vizinhanças da corte, entre 1810 e 1820, os cafeeiros espalham-se penetrando pelo vale do rio Paraíba, a mancha verde dos cafezais, que já dominava paisagem fluminense, chegou ao sul Minas e a São Paulo, que, a partir da década de 1880, passou a ser o principal produtor nacional da rubiácea (café). Na sua marcha foi criando cidades e fazendo fortunas.  Em meados do século XIX, ocupam parte das terras das antigas lavouras de cana-de-açúcar e algodão, e invadem o chamado Oeste Paulista, inicialmente a região de Campinas e Sorocaba, e, em seguida, Ribeirão Preto e Araraquara. No início do século XX, os cafezais cobrem extensa faixa paralela ao litoral das regiões Sul e Sudeste, que vai do Paraná ao Espírito Santo. A cafeicultura ganha a primazia entre as monoculturas exportadoras, desbancando a tradicional agricultura canavieira.

O sucesso e a vigorosa expansão cafeeira no Sudeste brasileiro durante o século XIX se devem a uma combinação de fatores. Há um cenário externo favorável, com o crescimento do consumo em diversas regiões do mundo, e uma crise em importantes regiões produtoras, soma-se a tudo isso as condições excelentes do solo da região sudeste do Brasil.


CAFÉ: UM IMPORTANTE INSTRUMENTO NO PROCESSO IMIGRATÓRIO.

 
A rápida ampliação das plantações de café cria também o primeiro problema: a escassez de mão-de-obra provocada pela interrupção definitiva do tráfico de escravos africanos em 1850. A solução encontrada é a atração de imigrantes, com o apoio oficial. Nas últimas décadas do século XIX, as fazendas de café recebem milhares de imigrantes europeus – italianos, portugueses, espanhóis, alemães, suíços e eslavos – e japoneses, que vêm trabalhar em regime de parceria, recebendo por produção ou como assalariados. Com a substituição progressiva do trabalho escravo pelo livre, a cafeicultura não apenas se desenvolve como também apressa o fim da escravidão.

O grande movimento imigratório para o Brasil foi patrocinado pelo governo imperial e por alguns governos provinciais a partir da segunda metade do século XIX. O objetivo era trazer trabalhadores aptos a substituir os escravos na agricultura e a executar tarefas necessárias à industrialização e ao desenvolvimento econômico. O movimento cresce a partir das décadas de 1870 e 1880 e se estende até meados do século XX. A onda imigratória iniciada no século XIX traz para o país cerca de 4 milhões de trabalhadores. A maioria vem da Europa, mas também é significativa a vinda de japoneses. Alguns grupos de imigrantes europeus, sobretudo italianos e espanhóis, trazem para o país as ideias anarquistas e socialistas, que são importantes para a organização e o desenvolvimento do movimento operário brasileiro.

            Primeiras imigrações - As primeiras experiências na substituição da força de trabalho escrava pela de imigrantes europeus começam a partir de 1819, com a instalação de colonos suíços na região de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O movimento imigratório se intensifica na segunda metade do século XIX com a expansão cafeeira na Região Sudeste do país e a escassez de escravos provocada pela abolição do tráfico em 1850.

Depois que grandes fazendeiros de café contratam estrangeiros para trabalhar em suas terras, os governos provinciais da região seguem o exemplo da iniciativa privada e desenvolvem programas de incentivo à vinda de trabalhadores de outros países, levando o Império a formular uma política oficial de imigração. Representantes do imperador brasileiro atuam em companhias internacionais de colonização sediadas em diversas cidades europeias. Com isso se estabelece um fluxo regular de chegada de estrangeiros aos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais, tradicionais zonas cafeeiras, e também ao do Espírito Santo, onde são instaladas áreas pioneiras de cultivo de café. Além da preocupação em obter mão-de-obra para a agricultura, há também o interesse de atrair a população branca para o país a fim de reduzir proporcionalmente a população negra e mestiça no Brasil.

Política do café – Nas primeiras décadas do século XX, a produção de café é reforçada por uma política governamental bastante favorável aos interesses do setor, que garante crédito, formação de estoques e intervenções no câmbio para compensar eventuais baixas dos preços internacionais. Isso tem efeito positivo: mantém o desenvolvimento da cafeicultura, possibilitando aos fazendeiros investir parte de sua renda em atividades comerciais e industriais, dinamizando a economia urbana. Mas tem igualmente um efeito nocivo: no final da década de 20, a produção interna (28 milhões de sacas anuais) é muito maior que a demanda externa (15 milhões).

Depois da Revolução de 1930 e dos abalos provocados pela crise econômica mundial, iniciada nos Estados Unidos em 1929, o governo Vargas mantém o apoio ao setor cafeeiro por meio do Conselho Nacional do Café e, ao mesmo tempo, decide impulsionar a industrialização. Para reduzir a oferta e melhorar os preços, manda queimar o café estocado, em torno de 70 milhões de sacas, e erradicar os cafezais mais velhos, pagando pequena indenização aos produtores. A longo prazo, a produção e a exportação voltam a equilibrar-se, sob a supervisão do Instituto Brasileiro do Café (IBC), criado em 1952. Na década de 50, as vendas de café ainda representam a maior parte do total exportado pelo país, e o Brasil permanece como o maior produtor mundial. Mas seu reinado absoluto na economia brasileira chega ao fim quando o setor industrial, a partir da segunda metade do século XX, torna-se o carro-chefe do desenvolvimento econômico nacional.


            INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA SUBSIDIADA PELO CAFÉ.


A indústria brasileira nasceu principalmente do capital proveniente do Ciclo do Café, justamente na região onde hoje é São Paulo, pegando algumas áreas do sul do RJ, sul de Minas e nordeste do Paraná.

A "Era Vargas" divide funções entre as regiões do Brasil:

·         O Sudeste seria a área industrial,

·         O Norte (Amazônia) seria responsável por fornecer matérias-primas pra indústria do Sudeste,

·         O Nordeste seria responsável por fornecer mão-de-obra pra indústria do Sudeste (foi quando nasceram os "paus-de-arara"),

·         O Sul seria responsável por fornecer comida para o Sudeste.

Nesse modelo, as regiões dariam todo o apoio pra indústria do Sudeste e todas elas só teriam uma opção de onde comprar produtos industriais: do Sudeste. Canalizando muitos recursos do país para cidades como São Paulo, ABC paulista, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Vargas ficou marcado por abrir e incentivar a abertura de grandes empresas com capital totalmente brasileiro, visando que o lucro não fosse enviado para fora: que ficasse dentro do Brasil para ser reinvestido dentro do nosso país.

O Brasil começou a implantar indústrias por um motivo principal: até então, o país importava quase todos os produtos industriais, mas com guerras e crises internacionais, os fornecedores foram perdendo capacidade produtiva e não tinham mais como fornecer tanto ao nosso país. Criou-se o que chamam de "indústria de substituição", ou seja, "já que os países que vendem para nós já não conseguem mais produzir, então vamos produzir nós mesmos".

Em 1929-30 fatos marcantes acontecem: crise internacional (quebra da bolsa de Nova York), Vargas chega ao poder e acaba o “Ciclo do Café”.