Tema 1: Guerra de Canudos
1. Entre 1896 e 1897.
2. Arraial de Canudos, no sertão da Bahia.
3. Camponeses miseráveis, seguidores de um líder messiânico, que propunha um estilo de vida comunitário no Arraial de Canudos, que chegou a reunir 25 mil pessoas. Isso provocou a ira de fazendeiros e autoridades locais que decidiram destruir o Arraial, acusando-o de ser uma ameaça à República.
4. Antônio Conselheiro.
5. Tropas do governo da Bahia e tropas federais atacaram o Arraial, que resistiu bravamente, adotando uma guerra de guerrilhas.
6. Apenas na quarta expedição do Exército brasileiro contra Canudos, o Arraial foi inteiramente destruído e sua população exterminada. ( ou prisioneira)
• Tema 2: Guerra do Contestado
1. Entre 1912 e 1916.
2. No limite entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, contestado por ambos.
3. Sertanejos expulsos de suas terras pelo governo, por companhias estrangeiras e pela oligarquia local, reuniram-se em torno de um líder messiânico e fundaram uma comunidade coletivista, com cerca de 20 mil pessoas, o que despertou a preocupação das autoridades locais.
4. “Monge” José Maria.
5. Ocorreram violentas batalhas entre os sertanejos e os governos estaduais do Paraná e Santa Catarina e tropas do governo federal. Foi utilizada artilharia pesada contra os sertanejos.
6. Os sertanejos foram massacrados.
.
• Tema 3: Revolta da Chibata
1. Entre novembro e dezembro de 1910.
2. Rio de Janeiro.
3. Os marinheiros rebelaram-se exigindo o fim dos castigos corporais disciplinares, então permitidos na Marinha brasileira, melhorias na alimentação, aumento dos soldos e anistia para os rebeldes.
4. João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”.
5. Os marinheiros apoderaram-se de importantes navios da Marinha e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro. O governo cedeu à pressão dos rebeldes, desde que se encerrasse a rebelião.
6. Apesar do acordo, o governo não cumpriu o que prometeu; os participantes foram punidos, alguns fuzilados e outros enviados ao Acre, onde a maioria morreu na prisão.
• Tema 4: Revolta da Vacina
1. Entre 10 e 15 de novembro de 1904.
2. Rio de Janeiro.
3. A população do Rio estava descontente com o projeto de urbanização de Rodrigues Alves, implementada pelo prefeito Pereira Passos, que destruiu os cortiços do centro da cidade e deixou a população com problemas de moradia; além disso, a reforma sanitária, que previa a vacinação obrigatória, exaltou os ânimos da população, que reagiu ao autoritarismo do governo.
4. Não há.
5. A população saiu às ruas, ergueu barricadas, saqueou e apedrejou estabelecimentos comerciais, espancou policiais, incendiou prédios públicos e bondes.
6. O governo decretou estado de sítio e reprimiu o movimento rebelde.
• Tema 5: Cangaço
1. Do final do século XIX até a década de 1930.
2. Região do sertão nordestino.
3. Bandos de sertanejos que reagiam às péssimas condições de vida no sertão nordestino, tornando-se bandidos.
4. O líder do principal bando de cangaceiros foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Seu bando atuou entre 1920 e 1938.
5. Os bandos possuíam cerca de dez homens, mas o bando de Lampião chegou a ter 100. Eles saqueavam fazendas e vilas, cometiam assassinatos e eram perseguidos pela polícia. Às vezes, recebiam a proteção de alguns fazendeiros, em troca de favores, atuando como "jagunços" de aluguel.
6. Na década de 1930, uma associação entre várias polícias estaduais do Nordeste conseguiu desmembrar os principais bandos.
• Tema 6: Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
1. 5 de julho de 1922.
2. Rio de Janeiro.
3. Jovens tenentes que lutavam contra a posse do presidente eleito, Artur Bernardes, pois consideravam sua vitória fruto de fraude eleitoral e o acusavam de ter escrito cartas publicadas no jornal O Correio da Manhã, ofendendo importantes militares; além disso, a prisão do Marechal Hermes da Fonseca e o fechamento do Clube Militar acirraram os ânimos.
4. Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal Hermes da Fonseca, tenente Siqueira Campos e tenente Eduardo Gomes.
5. Os rebeldes tomaram o Forte de Copacabana, que foi bombardeado por dois encouraçados e cercado por quatro mil soldados leais ao governo. Muitos homens desistiram da rebelião, mas alguns decidiram continuar; uniu-se a eles um engenheiro gaúcho.
6. Quando os 18 homens, na Avenida Atlântica, marchavam em direção ao Palácio do Catete, foram cercados por soldados que dispararam; houve apenas dois sobreviventes.
• Tema 7: Revolução Paulista de 1924
1. Julho de 1924.
2. São Paulo.
3. No segundo aniversário da Revolta dos 18 do Forte, tenentes paulistas queriam depor o presidente Artur Bernardes, pois ainda havia o desejo de moralizar o processo eleitoral brasileiro.
4. O general gaúcho Isidoro Dias Lopes, o major Miguel Costa e os tenentes Joaquim Távora, Juarez Távora e Eduardo Gomes.
5. Os rebeldes tomaram pontos estratégicos da cidade e atacaram o palácio dos Campos Elíseos; o governo federal enviou 18 mil soldados e iniciou pesado bombardeio aéreo, sobretudo sobre o Brás, Mooca e Belenzinho. Foram contabilizados mais de 500 mortos e quase cinco mil feridos.
6. Os rebeldes conseguiram fugir de São Paulo de trem.
• Tema 8: Coluna Prestes
1. Entre 1925 e 1927.
2. A Coluna deslocou-se por 25 mil quilômetros no território brasileiro.
3. Militares gaúchos decidiram unir-se aos paulistas rebeldes, que haviam fugido da Revolução Paulista e estavam em Foz do Iguaçu, para percorrer o interior do Brasil e propagar seus ideais.
4. O major Miguel Costa e o tenente Luis Carlos Prestes.
5. A Coluna realizou o que se chamou de “guerra de movimento”, na qual os rebeldes
não ficavam mais de 48 horas em lugar algum, para evitar confrontos com as forças governamentais; apesar disso travaram 53 combates. A Coluna chegou a contar com 1500 rebeldes.
6. Perseguidos, os homens liderados por Prestes conseguiram refúgio na Bolívia e, outro grupo, liderado por Siqueira Campos, dirigiu-se ao Paraguai.
• Tema 9: Greve Geral de 1917
1. Julho de 1917.
2. São Paulo.
3. Os grevistas exigiam, principalmente, a proibição do trabalho para menores de 14 anos, a abolição do trabalho noturno para mulheres e menores de 18 anos, a jornada de trabalho de oito horas.
4. O movimento grevista de 1917 resultou da ação das organizações operárias anarquistas que atuavam no Brasil, com o apoio da imprensa de mesma vertente ideológica.
5. 70 mil operários, de setores industriais diversos, aderiram à greve e, apesar da repressão policial, ergueram barricadas e tiroteios alastraram-se por toda a cidade.
6. O governo e os industriais concordaram em conceder 20% de aumento salarial aos grevistas e prometeu atender, posteriormente, às demais reivindicações; terminado o movimento, as principais lideranças fora perseguidas.
Este blog é direcionado para estudantes e amantes da História, trazendo resumos, artigos, comentários e demais materiais relacionados a aventura do Homem na Terra e no Espaço. História do Brasil; História da Humanidade; História Antiga; História Medieval; História Moderna e História Contemporânea.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Alguns principais envolvidos no processo da Revolução Russa
• Czar
Nicolau II, da Rússia
1. Nome completo: Nicolai Aleksandrovitch Romanov.
2. Data e local de nascimento: 18 de maio de 1868, no Palácio de
Catarina, a 25 quilômetros de São Petersburgo.
3. História familiar: filho do imperador Alexandre III, que governou o
Império Russo entre 1881 e 1894, e da imperatriz Maria, dinamarquesa.
4. Trajetória de vida: Nicolau II recebeu uma esmerada educação,
compatível com sua posição de príncipe-herdeiro do trono russo; comunicava-se
muito bem em inglês e também em francês e alemão. Era bom atirador e cavaleiro.
Não demonstrava muita inclinação à vida política, mas dizia apreciar a vida
militar; ostentava o título de coronel. Casou-se com Alexandra de Hesse, com a
qual teve cinco filhos, quatro meninas e um menino. Assumiu o trono russo,
depois da morte de seu pai, em 1894, e foi o último czar, reinando até 1917.
5. Participação na Revolução Russa: Nicolau II chefiou um regime
autocrático e após a derrota na Guerra Russa-Japonesa, em 1905, teve que
enfrentar a Revolução de 1905, depois da qual foi convocado um Parlamento
(Duma) para redigir uma Constituição que limitaria os poderes do czarismo; a
Duma foi dissolvida em 1907 e restaurado o regime autoritário. Na Primeira
Guerra Mundial, pensando em anexar territórios na península balcânica e assim
atingir o Mar Mediterrâneo, lutou pessoalmente contra o Exército alemão; os
russos sofreram humilhantes derrotas; isso agravou ainda mais a insatisfação do
povo em relação ao regime czarista, já fortemente abalado por grave crise
econômica. Em 15 de março de 1917, diante do movimento revolucionário vitorioso,
abdicou o trono russo. Nicolau II e sua família foram presos e enviados à Sibéria
e depois para Ekaterimburgo, na região dos Montes Urais.
6. Data, local e causa da morte: Nicolau II e sua família foram
executados, em 17 de julho de 1918, em Ekaterimburgo, sob ordens do governo
revolucionário.
• Vladimir
Ilitch Ulianov Lênin
1. Nome completo: Vladimir Ilitch Ulianov.
2. Data e local de nascimento: 22 de abril de 1870, em Simbirski,
atual Ulianovsk, na Rússia.
3. História familiar: de família abastada, seu pai foi um alto
funcionário público liberal, mas seu irmão mais velho foi assassinado depois de
participar de um atentado terrorista contra o czar Alexandre III, quando Lênin
tinha 17 anos.
4. Trajetória de vida: Lênin foi um estudante considerado muito
competente, estudou Direito na Universidade de Kazan e, menos de um ano depois
da morte do irmão, ingressou em um grupo marxista. Em 1893, conheceu, em
Moscou, diversos grupos de intelectuais com os quais discutia ideias
revolucionárias; por isso, foi preso em 1895, condenado e deportado para a
Sibéria, em 1897, onde permaneceu por três anos. Lá conheceu Nádia Krupskaia,
sua esposa. Depois de cumprida a pena, exilou- -se na Suíça, onde passou a
editar um jornal de tendência marxista, Iskra (Centelha); mais tarde, em Paris,
também editaria o jornal Pravda (Verdade). Lênin escreveu diversos livros nos
quais defendeu as ideias revolucionárias do marxismo e se tornou um importante
líder político. Em 1903, no segundo congresso do Partido Operário Socialdemocrata
Russo, defendeu a constituição de um partido centralizado e dirigido por
intelectuais com formação teórica marxista, que conduzissem os trabalhadores na
luta revolucionária; ocorreu, então, a divisão do Partido em dois grupos, os
bolcheviques, liderados por Lênin, e os mencheviques.
5. Participação na Revolução Russa: quando eclodiu a Revolução de
março de 1917, Lênin estava na Suíça; ele retornou no mês seguinte e passou a
fazer oposição ao recém-instaurado governo menchevique. Em novembro, liderou os
bolcheviques, que derrubaram o governo e instituíram um novo governo, o
Conselho de Comissários do Povo, presidido por ele. Essa revolução assumiu um
caráter socialista, com o decreto de uma reforma agrária, nacionalização dos
bancos, entrega do controle das fábricas aos operários e retirada da Rússia da
Grande Guerra. Com o fim da guerra civil, que se seguiu à Revolução, em 1921,
Lênin a NEP (Nova Política Econômica),
que restabelecia parcialmente o capitalismo, para tentar reconstruir o país. No
final de 1922, Lênin proclamou a URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas).
6. Data, local e causa da morte: Lênin morreu em 21 de janeiro de
1924, em Gorki, perto de Moscou, acometido por hemiplegia, uma paralisação
parcial do corpo, provocada por uma doença cerebral.
• Leon
Trotsky
1. Nome completo: Lev Davidovitch Bronstein.
2. Data e local de nascimento: 7 de novembro de 1879, em Ianovka, na
Ucrânia.
3. História familiar: seus pais eram fazendeiros; sua família era de
origem judaica, mas não religiosos.
4. Trajetória de vida: aos 9 anos, Trotski foi estudar em Odessa. Aos
17 anos, teve seus primeiros contatos com as ideias do marxismo, começando a
participar de movimentos contra o regime czarista. Perseguido, em 1898, foi
preso e deportado para a Sibéria. Casou-se com Alexandra Sokolovskaia, com quem
teve duas filhas.
Conseguiu fugir da Sibéria e foi para Londres, onde conheceu Lênin,
com o qual rompeu em 1903, por não concordar com suas diretrizes no segundo
congresso do Partido Operário Socialdemocrata Russo. Trotski participou da
Revolução de 1905 e, devido à derrota, exilou-se novamente. Separou-se da primeira
esposa e casou-se com Natália Sedova, com quem teve dois filhos.
5. Participação na Revolução Russa: em 1917, Trotski filiou-se aos
bolcheviques e, em novembro, liderou a tomada do Palácio do Governo, em
Petrogrado. Foi o criador do Exército Vermelho, que venceu a guerra civil em
1921, garantindo a sobrevivência da Revolução. Com a morte de Lênin, disputou o
poder com Stalin e foi derrotado; perseguido, foi expulso do partido comunista
e exilou-se em vários países; nesse período escreveu diversos livros,
divulgando suas ideias, entre elas, a teoria que defendia que a revolução
socialista deveria ser estendida a outros países, para garantir sua
sobrevivência na URSS.
6. Data, local e causa da morte: Trotski foi assassinado em 20 de
agosto de 1940, na Cidade do México, provavelmente a mando dos serviços
secretos soviéticos.
• Josef
Stalin
1. Nome completo: Josef Vissarionovich Djugashvili.
2. Data e local de nascimento: 18 de dezembro de 1878, em Gori, na
Geórgia.
3. História familiar: seu pai era um sapateiro e sua mãe lavadeira.
4. Trajetória de vida: Stalin teve uma infância pobre e difícil, tendo
o rosto marcado pela varíola; chegou a estudar em um seminário, pois sua mãe
gostaria que ele tivesse se tornado padre, mas em 1899 ingressou no partido
socialdemocrata e entre 1905 e 1917 foi membro do partido bolchevique. Foi
preso algumas vezes nesse período pela polícia do czar. Em 1904 casou-se com
Ekaterina Svanidze, com a qual teve um filho; ela morreu de tifo, em 1907. Em
1919, casou-se com Nadia Alliluyeva, que se suicidou em 1932; com a segunda
esposa, teve uma filha e um filho. Sua terceira esposa foi Rosa Kaganovich;
eles se casaram em 1934 e se divorciaram em 1938.
5. Participação na Revolução Russa: em 1917, Stalin era um dos
editores do jornal Pravda (Verdade), e aliou-se a Lênin na luta revolucionária;
foi nomeado Comissário das Nacionalidades e, em 1922, Secretário-Geral do
Comitê Central do Partido Comunista. Com a doença e morte de Lênin, tornou-se a
principal figura política soviética e governou a URSS até 1953, quando morreu.
Stalin tornou-se um ditador e eliminou seus opositores, condenando-os aos
campos de trabalho forçado ou à morte; promoveu o crescimento econômico da
URSS, por meio dos Planos Quinquenais, que privilegiavam as indústrias de base
e a coletivização da agricultura. Seu principal objetivo era consolidar o
regime internamente, portanto não se preocupou em estender a revolução
socialista a outros países.
6. Data, local e causa da morte: Stalin morreu dia 5 de março de 1953,
em Moscou, vítima de um derrame cerebral.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Pré-História
1º Ano do EM 1º Bim.
PALEOLÍTICO,
MESOLÍTICO, NEOLÍTICO, Idade dos Metais
Primeiro período da história universal.
Começa com o surgimento dos primeiros hominídeos, antepassados do homem
moderno, há cerca de 3,5 milhões de anos, e termina com o aparecimento da escrita,
por volta de 4.000 a.C. Divide-se em três fases: Paleolítico, Mesolítico e
Neolítico.
PALEOLÍTICO
– Conhecida como Idade da Pedra Lascada, vai de 3,5 milhões de anos a 10.000
a.C. Os hominídeos começam a desenvolver a linguagem oral, vivem em pequenos
grupos nômades e utilizam técnicas rudimentares para conseguir alimento: coleta
de frutos e raízes, caça e pesca. Com o auxílio de pedras, fabricam
instrumentos como machados, facas, pontas de flecha e com eles moldam objetos
de madeira e osso. Também iniciam o uso do fogo. Inventam a agulha, o anzol, o
arpão, o lança-dardo ou propulsor, o arco e flecha e as lanças. Vivem em grupo,
dividem o trabalho de acordo com o sexo e a idade dos indivíduos e habitam
copas de árvores, saliências rochosas, tendas de madeira ou pele e cavernas.
Criam a arte, pintando animais nas paredes de cavernas, e realizam ritos
mágicos para favorecer a caça.
MESOLÍTICO
– Período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, estende-se de 10.000
a.C. a 8.000 a.C. Os humanos aprendem a produzir o fogo. Começam a domesticar
animais e a cultivar algumas espécies de plantas, o que dá início à
sedentarização do homem. Fabricam instrumentos mais bem elaborados e utensílios
de cerâmica. Fazem desenhos estilizados e introduzem a figura humana nas
pinturas.
NEOLÍTICO
– Chamada de Idade da Pedra Polida, de 8.000 a.C. a 4.000 a.C. Os grupos
humanos melhoram a agricultura e a criação de animais, constituindo uma
economia de produção (o que se considera a revolução neolítica). Fixam-se definitivamente
na terra e se estabelecem em povoados agrícolas, formando os primeiros núcleos
urbanos. Surge a noção de propriedade, e a organização familiar cede lugar a
comunidades tribais, com eleição de chefes para liderá-las. A busca por áreas
férteis provoca guerras com outras tribos, reforçando a importância da
comunidade para a sobrevivência de todos. Os homens neolíticos organizam melhor
a divisão do trabalho, o que permite a produção de excedentes e o intercâmbio
com outras comunidades. Aprendem a polir pedras, inventam a roda e confeccionam tecidos. Surgem aldeias, com
casas de pedra ou madeira. Desenvolvem os meios de transporte, com barcas de
pele de animais e carros puxados por força animal. A arte torna-se mais
complexa: fazem pinturas figurativas e geométricas em cerâmica, esculpem
baixos-relevos e estátuas. Adoram as forças da natureza e cultuam os
antepassados e a fertilidade.
Idade
dos Metais – Corresponde ao período final do Neolítico, por volta de 4.000
a.C., quando se desenvolve o uso dos metais: o cobre, o estanho, a prata e o
ouro. Com a técnica da fundição de bronze (mistura de cobre e estanho) é
possível substituir a pedra na confecção de armas e utensílios mais
resistentes. O domínio da metalurgia do ferro confere superioridade militar e
favorece os povos mais adiantados na conquista de melhores terras. A aquisição
das técnicas de metalurgia ocorre simultaneamente ao surgimento das primeiras
civilizações.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Alguns aparatos bélicos utilizados durante a Primeira Guerra Mundial (Desenvolvimento Bélico durante a I Guerra)
• Tema 1: Canhão de longo alcance
O canhão existe desde o século XIII, mas adquiriu, na Primeira Guerra, mais longo alcance e precisão; causou mais mortes do que qualquer outro armamento. Destacou-se o alemão “Grande Bertha”, capaz de bombardear o alvo a 120 quilômetros de distância; com ele, os alemães bombardearam Paris.
• Tema 2: Morteiro
O morteiro era uma espécie de canhão de curto alcance, que lançava projéteis com grandes ângulos de elevação. Foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial, especialmente para serem usados nas trincheiras.
• Tema 3: Fuzil
O fuzil é uma arma de fogo portátil, de cano longo, que dispara projéteis giratórios. Foi a arma de fogo padrão do Exército norte-americano na Primeira Guerra Mundial, pois disparava com maior alcance e precisão.
• Tema 4: Metralhadora
Criada em 1890, nos Estados Unidos, é uma arma de fogo automática que em pouco tempo dispara numerosos projéteis; era colocada nos aviões, nos tanques de guerra e camuflada nas trincheiras.
• Tema 5: Tanque de guerra
Com projeto inglês, é considerado um dos fatores decisivos para a vitória da Entente na Primeira Guerra; é um veículo de combate blindado, dotado de armamentos, que desequilibrou a guerra de trincheiras.
• Tema 6: Submarino
No século XVIII, na guerra de independência dos Estados Unidos, foi construído o primeiro submarino com objetivos militares. Porém, no início do século XX, os alemães os tornaram muito mais eficientes: movidos a óleo diesel e com periscópios muito precisos. Na Primeira Guerra, eram utilizados para afundar os navios da Entente, que desenvolveu sonares para detectá-los e projéteis para serem lançados para atingi-los no fundo do mar.
• Tema 7: Encouraçado ou couraçado
Projeto inglês de 1906, o encouraçado era um navio de guerra de grande tonelagem, blindado e armado com artilharia pesada, principalmente canhões de longo alcance.
• Tema 8: Avião
A invenção de Santos-Dumont foi utilizada no início da guerra, para orientar os tiros da artilharia, em missões de reconhecimento, tomada de fotografias e identificação de alvos. Depois, surgiram os aviões de perseguição, chamados aviões de caça, dotados de metralhadoras no “nariz”, cujas cabines eram abertas.
• Tema 9: Balão dirigível
Balão gigantesco, de até 150 metros de comprimento, foi usado principalmente pelos alemães e produzido pelo Conde Ferdinand von Zeppelin. Efetuou os primeiros ataques de bombardeios sobre Londres, entre 1915 e 1917. A altitude em que voavam não permitia que aviões aliados pudessem atingi-los. Porém, o desenvolvimento de projéteis de metralhadora revestidos de fósforo incendiário inviabilizou os zeppelins, que continham gás hidrogênio, altamente inflamável.
• Tema 10: Gases tóxicos
Os alemães inauguraram, em 1915, o uso de gases tóxicos, lançando sobre Ypres, na Bélgica, o gás cloro, asfixiante; depois também foi utilizado o gás mostarda, que ataca as vias respiratórias e provoca bolhas e queimaduras na pele, além de cegueira temporária; se aspirado em grande quantidade, também provoca asfixia. Até o fim da guerra, os dois lados usaram gases tóxicos e foram desenvolvidas máscaras contra gases.
• Tema 11: Granada de mão
A granada de mão é um artefato com câmara interna que leva uma carga explosiva. Um pino de segurança é retirado da granada antes que ela seja lançada, acionando o dispositivo que dispara a espoleta. Foi uma das armas mais revolucionárias da Primeira
Guerra Mundial, dando aos soldados a possibilidade de atingir um inimigo abrigado em trincheiras. A granada Mills foi introduzida em 1915 e 68 milhões de unidades foram produzidas na Primeira Guerra.
• Tema 12: Lança-chamas
É um aparelho projetado para lançar uma chama longa e controlável; foi utilizado primeiramente pelos alemães. O fogo é causado por uma reação química entre duas ou mais substâncias, normalmente o oxigênio do ar e algum tipo de combustível, como gasolina.
8ª série 9ºano
8ª série 9ºano
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Feudalismo
Sociedade,
Economia, Influência da Igreja
Sistema de organização econômica,
política e social da Europa Ocidental durante a Idade Média. Com as invasões
bárbaras e a desagregação do Império Romano a partir do século V, a Europa
inicia profunda reestruturação, marcada por descentralização do poder,
ruralização e emprego de mão-de-obra servil. Com começo e fim graduais, o
sistema feudal tem sua origem mais bem situada na França setentrional dos
séculos IX e X e seu desaparecimento no século XVI.
Apesar
de constituir um sistema fechado, que chega ao fim com a revisão de quase todos
os seus valores pelo Renascimento, o feudalismo é um dos alicerces do Estado
ocidental moderno. Os grandes conselhos de reis e de seus feudatários são os
ancestrais diretos dos modernos parlamentos.
Sociedade
– A estrutura social é estabelecida com base nas relações de dependência
pessoal, ou vassalagem, que abrangem desde o rei até o camponês livre. Há uma
relação direta entre autoridade e posse da terra. O vassalo, ou subordinado,
oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho em troca de proteção e de
um lugar no sistema de produção.
Os camponeses, que trabalham nas terras
dos senhores feudais, são os responsáveis por toda a atividade produtiva do
feudo. Além de produzir para seu sustento, devem obrigações a seu senhor, como
a corvéia, que consiste no trabalho gratuito e obrigatório durante três dias da
semana. Devem também impostos, que são pagos em produtos ou dinheiro. Os
senhores feudais formam a nobreza rural e têm poder para fazer os servos e os
camponeses livres cumprirem as normas vigentes. Vivem em castelos fortificados,
a melhor representação de seu poder civil e militar. Os cavaleiros armados
garantem o domínio do senhorio sobre a terra.
Economia
– O feudo constitui a unidade territorial da economia feudal. Caracteriza-se
pela auto-suficiência econômica e pela ausência quase total do comércio e de
intercâmbios monetários. A produção é predominantemente agropastoril, voltada
para a subsistência, e as trocas são feitas com produtos, não com dinheiro. As
cidades deixam de ser centros econômicos, os ofícios e o artesanato passam a se
realizar nos próprios castelos.
Influência
da Igreja – A Igreja Católica integra-se ao sistema feudal por meio dos mosteiros,
que reproduzem a estrutura dos feudos. Transforma-se também em grande
proprietária feudal, detém poder político e econômico e exerce forte controle
sobre a produção científica e cultural da época.
Neocolonialismo
Processo de exploração econômica e
dominação política dos continentes africano e asiático pelas potências
capitalistas emergentes no decorrer do século XIX e começo do XX. A disputa por
novos mercados leva à partilha da África e da Ásia. Reino Unido, França e
Bélgica, as primeiras potências industrializadas, iniciam o processo. São
seguidos por Alemanha e EUA – que alcançam o apogeu industrial e econômico a
partir de 1870 – e, posteriormente, por Itália, Rússia e Japão.
Nessa
época, os países industrializados procuram encontrar territórios ricos em
matérias-primas para abastecer sua economia e novas regiões para investir o
capital excedente. As colônias devem atender também aos problemas de
crescimento populacional da metrópole e de fornecimento de mão-de-obra numerosa
e barata. As inovações tecnológicas decorrentes da segunda Revolução Industrial
e a exploração de novas fontes de energia aumentam a capacidade de produção das
indústrias, o que força ainda mais a busca de novos mercados. A França
instala-se sobretudo no noroeste da África, na Indonésia e na Indochina. O
Reino Unido domina a Índia, ocupa o Egito, a China e estabelece colônias na
África. A Rússia avança na Sibéria, no Cáucaso e na China. A Bélgica ocupa a
República Democrática do Congo; a Alemanha, grande parcela da África negra. O
Japão instala-se na Coréia, em parte da China e na Indochina. Os EUA dominam
Cuba, Porto Rico, Filipinas, Samoa Americana, Guam e Havaí.
As
metrópoles fundam companhias privadas nas colônias para explorar o território e
desenvolvem um sistema administrativo fortemente centralizado nas mãos de
colonos. Os conflitos gerados pelos interesses colonialistas levam à I Guerra
Mundial. A partir da II Guerra têm início a descolonização da África e da Ásia.
Imperialismo
Política de expansão de poder ou
dominação de um Estado ou sistema político sobre outros. Realiza-se pela
conquista ou anexação de territórios, pelo estabelecimento de protetorados e
pelo controle de mercados ou monopólios. Envolve sempre o uso da força e tem
como conseqüência a exploração econômica, em prejuízo dos Estados ou povos
subjugados. Apesar de haver características imperialistas nas civilizações
orientais antigas, na Grécia antiga, no Império Romano e na expansão marítima
dos séculos XV e XVI, o termo imperialismo surge para designar a expansão das
potências industriais européias a partir de 1870, especialmente depois de
concluídas a unificação da Alemanha e a da Itália.
Mais tarde, em 1898, tem início a
política imperialista norte-americana em direção ao Pacífico e à América
Latina. Essa fase termina com o começo da I Guerra Mundial e a repartição,
ocupação ou subordinação política e econômica da África e de grande parte da
Ásia por alguns países europeus, pelo Japão e, em menor medida, pelos Estados
Unidos.
Entre 1914 e 1945, o imperialismo se
caracteriza pela rápida expansão dos Estados totalitários, como a Alemanha
nazista, a Itália fascista, o Japão e a União Soviética, que tentam estender
suas hegemonias à Europa, à Ásia e à África. Após a II Guerra Mundial e o fim
dos processos de descolonização da África e da Ásia, o imperialismo assume a
forma de hegemonia política e econômica das duas superpotências, URSS e EUA,
durante a Guerra Fria.
Veja o vídeo do professor Chico, com a música sobre o tema:
https://www.youtube.com/watch?v=8klVIxVEcVA
Veja o vídeo do professor Chico, com a música sobre o tema:
https://www.youtube.com/watch?v=8klVIxVEcVA
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Origem do PCC
Como nasceram as facções
A história e as técnicas de
guerrilha adotadas pelo PCC, maior organização criminosa brasileira, para
dominar o País
Por Alan Rodrigues
No final da década de 70 era freqüente nos presídios brasileiros presos políticos e bandidos
comuns dividirem o mesmo espaço. A convivência forçada ensinou toda a população
carcerária que só de maneira organizada poderiam fazer valer bandeiras como o
fim da tortura, por exemplo. É nesse contexto que surge no Rio de Janeiro a
Falange Vermelha, organização criminosa hierarquizada que conseguia denunciar
os maus-tratos a que seus membros eram submetidos. Mais tarde surge, também no
Rio, o Comando Vermelho, oriundo da Falange, e ainda mais sofisticado. A
organização impunha sua força para fora dos presídios, fazendo com que os
produtos de ações criminosas pudessem em parte reverter para um caixa único, a
fim de garantir o sustento das famílias daqueles que estavam detidos. Em São
Paulo, as organizações de presos começaram a surgir no início da década de 80,
com as Serpentes Negras, grupo que exigia a implantação de uma política de
direitos humanos no sistema penitenciário. O PCC se organiza a partir de 1993,
depois do massacre que resultou na morte de 111 presos no extinto Carandiru,
reivindicando os mesmos direitos das organizações do passado.
No início de 2000, após
rebeliões simultâneas em presídios, alguns líderes do PCC, entre eles Marco
Camacho, o Marcola, foram transferidos para o Rio de Janeiro. “Esse foi o nosso
maior erro”, lamenta o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Departamento
de Investigações Criminais de São Paulo (Deic), especializado no combate ao
crime organizado. No Rio, Marcola, que até então era um simples “batedor de
carteiras”, manteve contatos e construiu relações com o Comando Vermelho,
aprimorando a organização do PCC. De presos organizados passaram para o crime
organizado, liderando ações como tráfico de drogas e de armas, contrabando,
roubo a bancos e seqüestros de dentro dos presídios. Criaram uma estrutura
financeira capaz de arrecadar mensalmente cerca de R$ 1 milhão, dinheiro usado
para bancar outros crimes, corromper agentes penitenciários, manter as famílias
dos presos e até custear a formação de advogados de confiança. O mais recente
investimento se dá na qualificação de sua mão-de-obra. O PCC coloca alguns de
seus membros em cursos promovidos por empresas de segurança privada para que
aprendam a manusear armas mais modernas e até a fazer direção defensiva.
Em 2005, Marcola conversou
seguidamente com o chileno Maurício Norambuena, experiente militante da Frente
Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) e um dos responsáveis pelo seqüestro do
publicitário Washington Olivetto. Ambos estavam presos em Presidente Bernardes.
Após essas conversas, o PCC parte para uma nova estratégia: a ordem é atacar,
desgastar e desmoralizar a estrutura de segurança do Estado. Comandante Ramiro,
nome de guerra de Norambuena, ensinou para Marcola como uma facção do porte do
PCC poderia se transformar numa organização de dominação política para afrontar
o Estado.
Para consolidar sua liderança
sob os 100 mil comandados no sistema penitenciário e dez mil “soldados” que
agem fora das muralhas, Marcola usa o tacão do terror. Os números do governo
são alarmantes. São quase 500 mortos por ano nos presídios paulistas. Só em
2004 cresceu em 200% o número de suicídios dentro dos presídios. “Muitos dos
presos que têm dívidas com a facção ou não querem mais cumprir as ordens são
‘obrigados’ a se suicidar”, diz o padre Valdir José Silveira, coordenador
estadual da Pastoral Carcerária, entidade não governamental que trabalha em
defesa dos presidiários.
Após eliminar líderes rivais
(alguns decapitados), Marcola adotou posturas que aumentaram sua popularidade
dentro dos presídios. Aboliu o uso do crack nas prisões, droga que
segundo ele mesmo afirma acaba matando seu exército. Também decretou o fim dos
estupros que vitimavam os presos mais fracos, e assim ganhou respeito. Leitor
voraz, Marcola, que estudou até a oitava série, tem ambição. Além de usar as
práticas da guerrilha urbana para colocar em xeque o próprio Estado e
aterrorizar a população, o líder joga em outra ponta. O PCC vai financiar dois
candidatos a deputado, um federal e outro estadual. Quer, a médio prazo, formar
uma bancada para oficialmente “lutar pelos direitos do preso”.
Acesso em
12/01/2013
Revista Isto é, N° Edição: 1909 | 24.Mai.06 - 10:00 | Atualizado em
11.Jan.13 - 08:32
Guerra: Polícia x PCC
Guerra anunciada
2006: “Ao fim
e ao cabo da semana fatÍdica, registravam-se 293 atentados, 161 mortes e 80 rebeliões. São Paulo vivia dias de
Bagdá”.
Em 2006, os ataques do
PCC (primeiro Comando da Capital), foram uma demonstração de força e
organização, chegando a paralisar a maior cidade do país e até mesmo o Estado,
agora essa onda de ataques esta sendo diferente, se comparada com a de 2006 os
fatos estão ocorrendo em “doses” menores.
Naquela ocasião foi feito, segundo o especialista em
segurança pública, Guaracy Mingardi, um acordo implícito entre o crime e o
governo para cessar a violência. Esse acordo, que Mingardi classifica como um
erro, teria sido quebrado de alguma forma este ano, aumentando a violência,
tanto do crime, como da polícia. A guerra declarada entre polícia e crime
organizado teve início no primeiro semestre de 2012, quando seis criminosos
foram mortos durante uma ação de policiais das Rondas Ostensivas Tobias de
Aguiar (Rota), no dia 28 de maio. Segundo as primeiras informações daquela
ocorrência, seis viaturas se deslocaram ao local após uma denúncia anônima de
que o bando, ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC), estava reunido
no local para traçar um plano de resgate de um preso que seria transferido do
Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste, para a Penitenciária II
de Presidente Vescenslau, no interior do Estado.
Após uma denúncia de truculência policial e
investigação da Polícia Civil, pelo menos nove policiais da Rota foram presos
pela execução dos criminosos. Uma testemunha contou que três PMs - um sargento
e dois soldados - chutavam o suspeito levado pela viatura até o local. Um deles
chegou a atirar a queima roupa no homem. A mulher ligou para a polícia e contou
em tempo real o que, segundo ela, estava acontecendo.
Dois dias depois, o bairro de Cidade Tiradentes vivia
o seu primeiro toque de recolher. Moradores foram avisados de que os criminosos
atacariam batalhões em represália às mortes no bairro da Penha. Em junho, o bar
que funciona no local onde os criminosos foram executados pegou fogo. Segundo
os proprietários, o incêndio não teve ligação com o PCC.
Os ataques.
No mês de junho, São Paulo começou a viver a primeira
grande onda de ataques a policiais e bases da PM. Os primeiros ataques foram
registrados isoladamente, mas com o passar dos dias, ficou evidente de que se
tratava de uma ação coordenada. O dia 20 de junho, em especial, chamou a atenção
da Secretaria de Segurança Pública, pela sequência de crimes.
Na região da Vila Formosa, na zona leste, um policial
militar foi morto por criminosos dentro de uma academia. Duas horas mais tarde,
a cerca de 2 km de onde o PM foi morto, uma base móvel da Polícia Militar foi
atacada em São Mateus. Quatro homens em um carro e um outro em uma moto pararam
próximo à base e fizeram pelo menos oito disparos. No mesmo dia, outro policial
morreu em troca de tiros com um criminoso em Pirituba.
A partir dessa série de eventos, a Polícia Militar
começou a registrar casos sequenciais de mortes e ataques. No dia seguinte, um
policial militar foi morto em um supermercado no Capão Redondo. No dia 22 de
junho, um PM foi morto a tiros na região do Grajaú, quando estava indo para o
trabalho. Na mesma madrugada, uma base foi atacada em Itaquera, mas nenhum
policial ficou ferido. No dia 24 de junho, um policial militar foi assassinado
a tiros em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A partir de então,
outros casos começaram a ser registrados em diversas cidades da Grande São
Paulo, interior e Baixada Santista.
Por que incendiar ônibus?
Além de causar grande
transtorno no trânsito, que já é sobrecarregado nos grandes centros, incendiar
ônibus é uma maneira de fortalecer o caixa do crime organizado, visto que as
organizações criminosas possuem participação direta nos lucros de muitas
cooperativas de transporte (na grande maioria clandestinas). Quando um ônibus é
queimado, várias peruas e vans são colocadas nas ruas para realizar o
transporte dos usuários.
A partir do dia 24 de junho, a PM começou a registrar
ataques a ônibus na Grande São Paulo. Na noite seguinte, um ônibus foi pego em
uma emboscada na zona leste de São Paulo. Após receber sinal de um jovem em um
ponto, o motorista foi surpreso por outros três que surgiram atrás de um muro.
O veículo estava vazio e o motorista saiu correndo ao perceber a ação dos
criminosos. No dia 26 de junho, veio o primeiro grande ataque e três ônibus
foram queimados na região do Tremembé, na zona norte da capital.
Apesar da crescente onda de violência, a Secretaria de
Segurança Pública continuava tratando os casos como ações isoladas, descartando
o envolvimento do Primeiro Comando da Capital. Negar o envolvimento do crime
organizado seria uma estratégia para não alarmar a população, para não mostrar
a força e organização dos criminosos ou o despreparo de nossos políticos em
lidar com tal situação?
Chacinas
são usadas para espalhar o terror entre a população e até mesmo para desacreditar a polícia.
Após o início dos ataques contra policiais e a ônibus, a PM começou a registrar um aumento em crimes com características de execução e as primeiras chacinas começaram a aparecer. No dia 25 de junho, um grupo de quatro jovens foi encontrado baleado na em Poá, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, por volta das 21h30, homens passaram atirando. As vítimas foram socorridas ao Pronto-Socorro Municipal, mas não resistiram aos ferimentos.
Na madrugada do dia 12 de julho, oito pessoas foram
mortas após uma sequência de ataques na cidade de Osasco, logo após a final da
Copa do Brasil de futebol, vencida pelo Palmeiras. Segundo a polícia, os
atiradores aproveitaram a queima de fogos para efetuar os disparos. Em outubro
e novembro, o número de execuções de civis aumentou consideravelmente e,
segundo último balanço divulgado pela PM (não englobando o mês de novembro),
outubro foi o mês mais violento do ano, com 176 homicídios apenas na capital.
Alguns moradores das comunidades afirmam ser ações de policiais essas chacinas, poderia ser uma forma de desqualificar a polícia e colocar o PCC como o salvador da pátria, o mocinho dessa crise.
Motivações.
A prisão de Francisco Antônio Cesário da
Silva, o Piauí, em 26 de agosto, líder da facção (PCC) em Paraisópolis, já
havia revelado informação parecida aos homens das Rondas Ostensivas Tobias de
Aguiar (Rota) que o prenderam. “Vão morrer até os mamões (policiais da
reserva)”, ameaçou o criminoso ao ser detido, acrescentando que ainda morreriam
“dois botas (PMs)” para cada “irmão”.
Como o “salve geral” confirmou, os
ataques a PMs haviam sido ordenados pelas lideranças do PCC depois que mudanças
na política de segurança pública, feitas pelo atual secretário Antonio Ferreira
Pinto, aumentaram a atuação dos militares no combate à facção. Principalmente
depois que os homens da Rota passaram a ser mais atuantes.
Ferreira Pinto assumiu a pasta da
Segurança em 2009, em meio a uma crise de credibilidade dos policiais civis.
Escândalos impensáveis tinham sido revelados, como o envolvimento de
investigadores de Suzano com o sequestro do enteado de Marcos Willians Herbas
Camacho, o Marcola, líder do PCC. O caso aconteceu em 2005. Policiais civis
pediram R$ 300 mil para soltar o jovem. Marcola pagou, mas avisou que “não ia
ficar barato”. O achaque foi considerado um dos motivos para os ataques da
facção no ano seguinte.
Quando passou a comandar a segurança,
Ferreira Pinto optou por usar a Polícia Militar, corporação da qual havia sido
oficial e em que mais confiava, para lidar com as informações vindas dos
grampos e do serviço de inteligência do Ministério Público e da Secretaria de
Administração Penitenciária. Os policiais civis seriam postos de lado (um
perigo, visto que essa atitude poderia aumentar a rivalidade entre as policias).
A inteligência na investigação dos
presídios tornou-se afiada e até interceptações telefônicas de crimes em
andamento começaram a cair no grampo. Essas informações eram repassadas diretamente
aos policiais militares, resultando em uma série de conflitos e de vítimas nas
ocorrências, principalmente em supostas trocas de tiros com policiais da Rota.
Policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de
Aguiar (Rota), enfrentaram uma quadrilha no dia 11 de setembro. No total, oito
acusados de compor um "tribunal" do crime organizado que julgava um
homem acusado de estupro, foram mortos na operação. O homem que era julgado
pelos bandidos também foi alvejado e não sobreviveu. Outros oito suspeitos
foram presos pelos policiais. Na ocasião, o ouvidor da Polícia do Estado de São
Paulo, Luiz Gonzaga Dantas, disse que a ouvidoria investigaria a ação, além de
acompanhar as investigações no Departamento de Homicídios e de Proteção à
Pessoa (DHPP). O Ministério Público também acompanha o inquérito policial sobre
a ação da Rota.
Em novembro, a PM determinou a prisão de cinco
policiais suspeitos de matar um servente na periferia da zona sul da capital.
Um vídeo feito por um vizinho mostra o servente Paulo Batista do Nascimento, 25
anos, sendo cercado por policiais em uma rua do bairro do Campo Limpo. As
imagens confirmam que ele foi agredido. No vídeo, é possível ver o servente
levando um tapa e um chute dos policiais antes de ser levado para o carro da
polícia.
Em seguida, um policial aparece com os braços erguidos
em posição de tiro. Não é visto nenhum disparo, mas depois de um barulho
parecido com um tiro, as imagens mostram a movimentação de alguns agentes. No
boletim de ocorrência, os PMs relataram que o corpo foi encontrado em uma viela
pelos policiais.
Resposta
do governo
Em outubro, a Polícia Militar deu início à Operação Saturação
para combater o crime organizado em várias regiões da capital, em Guarulhos e
na cidade de Ribeirão Preto. Em novembro, o ministro José Eduardo Cardozo e o
governador Geraldo Alckmin anunciaram que as esferas estadual e federal teriam
uma agência integrada de combate ao crime organizado. A reunião definiu ações
de "asfixiamento financeiro" das organizações criminosas responsáveis
pelos ataques e também a futura transferência das lideranças envolvidas em
mortes de policiais para presídios federais.
Dias depois, o governador de São Paulo reconheceu pela
primeira vez dificuldades na segurança pública por conta da onda de homicídios
vivida em São Paulo nos últimos meses. No dia 21 de novembro, o então o secretário
de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pediu exoneração do cargo. Em seu
lugar, assumiu o ex-procurador geral de Justiça do Estado de São Paulo,
Fernando Grella.
Cinco dias depois, foram divulgados os nomes dos novos
comandantes das polícias Civil e Militar de São Paulo. O Comando Geral da
Polícia Militar foi assumido pelo coronel Benedito Roberto Meira, atual chefe
da Casa Militar do Governo do Estado. Já a Polícia Civil passou a ser comandada
pelo delegado classe especial Luiz Maurício Souza Blazeck.
Para o especialista em
segurança pública e pesquisador da Fundação Getulio Vargas Guaracy Mingardi, o
aumento das mortes está ligado a um ciclo de vinganças entre o crime organizado
e os policiais. Na opinião de Mingardi, que foi subsecretário nacional de
Segurança Pública, faltou uma ação adequada para dar resposta aos primeiros
casos de execução de policiais, o que está levando aos confrontos.
Uma carta escrita com bela caligrafia e
repleta de erros de português era uma das peças que faltavam para ajudar a
compreender as causas da atual tensão vivida em São Paulo e o crescimento dos
assassinatos neste semestre. Apreendido em Paraisópolis, na zona sul, o “salve
geral” do Primeiro Comando da Capital (PCC) dava a “todos os irmãos da rua” as
ordens que deveriam seguir a partir de 8 de agosto.
O recado era claro. Dois PMs deveriam
ser executados para cada integrante do PCC morto. A ação seria uma resposta “às
execuções covardes feitas pela Polícia Militar”. Segundo o “salve”, caberia ao
“sintonia geral da quebrada” cobrar a “morte do irmão” com a execução dos PMs
“da mesma corporação” que cometesse “a covardia”.
"Se você não resolver (os casos de mortes de
policiais), não prender ninguém, a polícia fica inquieta e começa a matar mais.
A polícia mata mais, os criminosos matam mais e as coisas vão indo assim:
represália para lá, represália para cá", disse. "Isso é uma quebra do
regime democrático, de direito, que você não pode deixar acontecer",
completou.
O valor da
vida
Policiais paulistas estão sendo assassinados por
quantias ínfimas. Meros R$ 600 ou R$ 850, devidos por alguma quadrilha ao
Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminal dos presídios
brasileiros. Isso não é teoria, mas realidade, comprovada em investigações.
A possibilidade de que dívidas na compra de drogas ou
armas sejam anistiadas pela facção, mediante o assassinato de policiais, foi
flagrada por promotores de Justiça do Grupo Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado (Gaeco).
Em telefonemas desde uma penitenciária do oeste do
Estado, grampeado pelo Ministério Público, bandidos lembram a quadrilheiros a
necessidade de pagar a mensalidade do Partido do Crime (como é chamado o PCC).
Uma das formas, para os que estão na rua, é matar policiais.
É por isso que drogados em dívida podem estar por trás
da onda de assassinatos que já ceifou a vida de mais de 100 PMs, agentes
penitenciários e policiais civis este ano. Grande parte das mortes é encomenda
do PCC, apontam investigações.
Um dos que ordenaram a morte de seis policiais
militares é Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, que passou a outros presidiários
bilhetes encomendando o assassinato de integrantes das Rondas Ostensivas Tobias
de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM paulista.
Tiriça, que está trancafiado em cela isolada em
Presidente Bernardes, em presídio a mais de 600 quilômetros da capital
paulista, quer vingança por duas matanças cometidas por policiais da Rota este
ano. A primeira, em agosto, quando seis assaltantes foram metralhados ao
tentarem explodir caixas-eletrônicos em um supermercado. A outra, em setembro,
quando a tropa de elite matou nove criminosos que se preparavam para
"julgar" um suspeito de estupro, em Várzea Paulista (Grande São
Paulo).
Prova
Material
A grande prova material contra os atentados praticados
pelo PCC veio em 30 de outubro, quando a PM localizou o que chamou de
"central de espionagem" do Partido do Crime em Paraisópolis, uma das
maiores favelas paulistanas. Foi localizada uma mala com anotações feitas pelo
bando de Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, um dos líderes do PCC.
Ela estava recheada com cadernos nos quais havia nomes, endereços e hábitos de
policiais civis e militares.
Ficou comprovado, pelos manuscritos, que os policiais
eram seguidos por criminosos, que sabiam o percurso dos agentes e até seus
hábitos, como jogo de futebol e sinuca. A motivação para os assassinatos é
diversificada. Alguns policiais seriam eliminados por atrapalhar, no serviço,
ações do PCC. Outros, por estarem envolvidos na morte de integrantes da facção.
E, conforme investigações, alguns por cobrarem suborno em área controlada pelo
Partido do Crime. Um quarto grupo é composto de policiais de rua, que seriam
eliminados por serem alvos fáceis e como retaliação, aleatória, contra outros
agentes que prejudicaram o PCC.
A apreensão da lista só aconteceu porque a comunidade
foi tomada pelos policiais militares, num cerco denominado Operação Saturação.
Ela ocorre em quatro regiões da periferia da Capital e Grande São Paulo.
Numa tentativa de neutralizar as ameaças, o governo
estadual e o governo federal combinaram o isolamento de Piauí. Ele foi
transferido de Avaré (SP) para a Penitenciária Federal de Porto Velho
(Rondônia).
Segundo uma gravação feita pelo Gaeco, os bandidos afirmam
que a mensalidade do PCC subiu de R$ 600 para R$ 850. Caso o criminoso não
tenha como arcar com a despesa, ele é coagido a matar um policial militar. Caso
não realize o serviço, será exterminado pela facção. A morte de policiais
militares também serve como vingança pela morte de “irmãos” do PCC. Para cada
aliado da facção morto, dois policiais são executados.
Uma estratégia do crime organizado é a de atacar policiais fora do horário de trabalho, assim pairam duvidas a respeito das motivações dessa morte, e evita parecer que a afronta foi uma atitude direta contra o Estado.
Acesso: 02/01/2013
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
"CICLO" DO CAFÉ NO BRASIL
7ª série – 8º ano – 4º Bimestre
CAFÉ - ORIGENS
Originário da Etiópia, onde já era
utilizado em tempos remotos, o café atravessou o Mediterrâneo e chegou à Europa
durante a segunda metade do século 17. Era a época do Barroco e das monarquias
absolutas, e a expansão do comércio internacional enriquecia a burguesia. Já no
início do século 18, os Cafés tornaram-se centros de encontro e reunião
elegante de aristocratas, burgueses e intelectuais.
Precedido pela fama de "provocar
idéias", o café conquistou, desde logo, o gosto de escritores, artistas e
pensadores. Lord Bacon atribuía-lhe a capacidade de "dar espírito ao que
não o tem". Os enciclopedistas eram adeptos fervorosos do café e dos
Cafés, que Eça de Queiroz chegou a afirmar, muito depois, que foi do fundo das
negras taças "que brotou o raio luminoso de 89", referindo-se às
discussões entre iluministas que precederam a Revolução Francesa.
O PAÍS DO CAFÉ
As primeiras mudas da rubiácea chegam ao
Brasil, contrabandeadas da Guiana Francesa por Francisco de Melo Palheta em
1727. Recebera-as de presente das mãos de Madame d'Orvilliers, esposa do
governador de Caiena. Ora, como a saída de sementes e mudas de café estava
proibida na Guiana Francesa, é licito pensar que o aventureiro português
recebeu de Madame não só os frutos, mas outros favores talvez mais doces. As
mudas foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade. Mas não seria
no ambiente amazônico que a nova planta iria tornar-se a principal do país, um
século e meio mais tarde. Com o aumento do consumo, exigindo assim, o constante
aumento da produção, o café saltou para o Rio de Janeiro, onde começou a ser
plantado em 1781 por João Alberto de Castello Branco. Tinha início, assim, um
novo ciclo econômico na história do país. Esgotado o ciclo da mineração do ouro
em Minas Gerais, outra riqueza surgia, provocando a emergência de uma
aristocracia e promovendo o progresso do Império e da Primeira República.
Mas é só a partir do começo do século
XIX que a cafeicultura ganha o interesse dos grandes proprietários. Torna-se
rapidamente a principal atividade agrícola do país, responsável por mais da
metade da renda obtida com exportação As plantações multiplicam-se e, em meados
do século XIX, o produto ocupa parte das terras de antigas lavouras de
cana-de-açúcar e de algodão e grande porção do chamado Oeste Paulista. Essa
vigorosa expansão da cafeicultura é resultado do crescimento do consumo nos
Estados Unidos e na Europa e da crise que atinge importantes regiões
produtoras, como Haiti, Ceilão (atual Sri Lanka) e Java, na Indonésia. Com o
preço em alta nos mercados consumidores, o produto torna-se muito atraente e
há, no Brasil, terras e escravos subutilizados em outras lavouras tradicionais
de açúcar e algodão, além de solos novos e férteis, como a terra roxa do
interior paulista. A crescente importância econômica faz dos produtores de café
de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais o centro da elite dirigente
do Império e da República, até quase meados do século XX.
Com a interrupção definitiva do tráfico
de escravos africanos, em 1850, surge o primeiro grande problema: escassez de
mão-de-obra. A solução encontrada é promover a vinda de imigrantes
estrangeiros.
Expansão cafeeira
– Das pequenas plantações nas vizinhanças da corte, entre 1810 e 1820, os
cafeeiros espalham-se penetrando pelo vale do rio Paraíba, a mancha verde dos
cafezais, que já dominava paisagem fluminense, chegou ao sul Minas e a São
Paulo, que, a partir da década de 1880, passou a ser o principal produtor nacional
da rubiácea (café). Na sua marcha foi criando cidades e fazendo fortunas. Em meados do século XIX, ocupam parte das
terras das antigas lavouras de cana-de-açúcar e algodão, e invadem o chamado
Oeste Paulista, inicialmente a região de Campinas e Sorocaba, e, em seguida,
Ribeirão Preto e Araraquara. No início do século XX, os cafezais cobrem extensa
faixa paralela ao litoral das regiões Sul e Sudeste, que vai do Paraná ao
Espírito Santo. A cafeicultura ganha a primazia entre as monoculturas
exportadoras, desbancando a tradicional agricultura canavieira.
O sucesso e a vigorosa expansão cafeeira
no Sudeste brasileiro durante o século XIX se devem a uma combinação de
fatores. Há um cenário externo favorável, com o crescimento do consumo em
diversas regiões do mundo, e uma crise em importantes regiões produtoras,
soma-se a tudo isso as condições excelentes do solo da região sudeste do
Brasil.
CAFÉ: UM IMPORTANTE INSTRUMENTO NO PROCESSO
IMIGRATÓRIO.
A rápida ampliação das plantações de
café cria também o primeiro problema: a escassez de mão-de-obra provocada pela
interrupção definitiva do tráfico de escravos africanos em 1850. A solução
encontrada é a atração de imigrantes, com o apoio oficial. Nas últimas décadas
do século XIX, as fazendas de café recebem milhares de imigrantes europeus –
italianos, portugueses, espanhóis, alemães, suíços e eslavos – e japoneses, que
vêm trabalhar em regime de parceria, recebendo por produção ou como
assalariados. Com a substituição progressiva do trabalho escravo pelo livre, a
cafeicultura não apenas se desenvolve como também apressa o fim da escravidão.
O grande movimento imigratório para o
Brasil foi patrocinado pelo governo imperial e por alguns governos provinciais
a partir da segunda metade do século XIX. O objetivo era trazer trabalhadores
aptos a substituir os escravos na agricultura e a executar tarefas necessárias
à industrialização e ao desenvolvimento econômico. O movimento cresce a partir
das décadas de 1870 e 1880 e se estende até meados do século XX. A onda imigratória
iniciada no século XIX traz para o país cerca de 4 milhões de trabalhadores. A
maioria vem da Europa, mas também é significativa a vinda de japoneses. Alguns
grupos de imigrantes europeus, sobretudo italianos e espanhóis, trazem para o
país as ideias anarquistas e socialistas, que são importantes para a
organização e o desenvolvimento do movimento operário brasileiro.
Primeiras imigrações
- As primeiras experiências na substituição da força de trabalho escrava pela
de imigrantes europeus começam a partir de 1819, com a instalação de colonos
suíços na região de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. O movimento imigratório
se intensifica na segunda metade do século XIX com a expansão cafeeira na
Região Sudeste do país e a escassez de escravos provocada pela abolição do
tráfico em 1850.
Depois que grandes fazendeiros de café
contratam estrangeiros para trabalhar em suas terras, os governos provinciais
da região seguem o exemplo da iniciativa privada e desenvolvem programas de
incentivo à vinda de trabalhadores de outros países, levando o Império a
formular uma política oficial de imigração. Representantes do imperador
brasileiro atuam em companhias internacionais de colonização sediadas em
diversas cidades europeias. Com isso se estabelece um fluxo regular de chegada
de estrangeiros aos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais,
tradicionais zonas cafeeiras, e também ao do Espírito Santo, onde são
instaladas áreas pioneiras de cultivo de café. Além da preocupação em obter
mão-de-obra para a agricultura, há também o interesse de atrair a população
branca para o país a fim de reduzir proporcionalmente a população negra e
mestiça no Brasil.
Política do café
– Nas primeiras décadas do século XX, a produção de café é reforçada por uma
política governamental bastante favorável aos interesses do setor, que garante
crédito, formação de estoques e intervenções no câmbio para compensar eventuais
baixas dos preços internacionais. Isso tem efeito positivo: mantém o
desenvolvimento da cafeicultura, possibilitando aos fazendeiros investir parte
de sua renda em atividades comerciais e industriais, dinamizando a economia
urbana. Mas tem igualmente um efeito nocivo: no final da década de 20, a
produção interna (28 milhões de sacas anuais) é muito maior que a demanda
externa (15 milhões).
Depois da Revolução de 1930 e dos abalos
provocados pela crise econômica mundial, iniciada nos Estados Unidos em 1929, o
governo Vargas mantém o apoio ao setor cafeeiro por meio do Conselho Nacional
do Café e, ao mesmo tempo, decide impulsionar a industrialização. Para reduzir
a oferta e melhorar os preços, manda queimar o café estocado, em torno de 70
milhões de sacas, e erradicar os cafezais mais velhos, pagando pequena
indenização aos produtores. A longo prazo, a produção e a exportação voltam a
equilibrar-se, sob a supervisão do Instituto Brasileiro do Café (IBC), criado
em 1952. Na década de 50, as vendas de café ainda representam a maior parte do
total exportado pelo país, e o Brasil permanece como o maior produtor mundial. Mas
seu reinado absoluto na economia brasileira chega ao fim quando o setor
industrial, a partir da segunda metade do século XX, torna-se o carro-chefe do
desenvolvimento econômico nacional.
INDUSTRIALIZAÇÃO
BRASILEIRA SUBSIDIADA PELO CAFÉ.
A
indústria brasileira nasceu principalmente do capital proveniente do Ciclo do
Café, justamente na região onde hoje é São Paulo, pegando algumas áreas do sul
do RJ, sul de Minas e nordeste do Paraná.
A "Era Vargas" divide funções entre as
regiões do Brasil:
·
O Sudeste seria a área industrial,
·
O Norte (Amazônia) seria responsável por fornecer
matérias-primas pra indústria do Sudeste,
·
O Nordeste seria responsável por fornecer
mão-de-obra pra indústria do Sudeste (foi quando nasceram os
"paus-de-arara"),
·
O Sul seria responsável por fornecer comida para o
Sudeste.
Nesse modelo, as regiões dariam todo o apoio pra
indústria do Sudeste e todas elas só teriam uma opção de onde comprar produtos
industriais: do Sudeste. Canalizando muitos recursos do país para cidades como São
Paulo, ABC paulista, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Vargas ficou marcado por
abrir e incentivar a abertura de grandes empresas com capital totalmente
brasileiro, visando que o lucro não fosse enviado para fora: que ficasse dentro
do Brasil para ser reinvestido dentro do nosso país.
O Brasil começou a implantar indústrias por um
motivo principal: até então, o país importava quase todos os produtos
industriais, mas com guerras e crises internacionais, os fornecedores foram
perdendo capacidade produtiva e não tinham mais como fornecer tanto ao nosso
país. Criou-se o que chamam de "indústria de substituição", ou seja,
"já que os países que vendem para nós já não conseguem mais produzir, então
vamos produzir nós mesmos".
Em 1929-30 fatos marcantes acontecem: crise
internacional (quebra da bolsa de Nova York), Vargas chega ao poder e acaba o
“Ciclo do Café”.
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